PAC deve ajudar na inclusão digital

JOÃO SANDRINI
da Folha Online

Com a continuidade da queda de preços e a ampliação da isenção de tributos, os brasileiros devem comprar cerca de 11 milhões de computadores pessoais neste ano, segundo estimativas da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica).

Em 2006, a associação estima que o número de PCs comercializados ficou entre 8,3 milhões e 9 milhões, o que representa um crescimento superior a 40% sobre o ano anterior.

Entre 40% e 47% desses computadores devem ficar o chamado “mercado cinza” –de máquinas importadas irregularmente ou produzidas sem o pagamento de impostos.

Para o diretor da consultoria IT Data, Ivair Rodrigues, o grande mérito do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) será permitir a redução desse mercado cinza no segmento de computadores mais avançados, o novo nicho dos produtos piratas.

O governo anunciou ontem que elevaria o valor máximo dos computadores de mesa isentos de PIS e Cofins de R$ 2.500 para R$ 4.000. Esse novo valor também passa a valer para os notebooks.

Rodrigues afirmou que em 2004 –antes, portanto, de o governo começar a desonerar a produção de computadores– o mercado cinza tinha 74% das vendas. Nos nove primeiros meses de 2006, esse percentual caiu para 47%.

“Nesse período caiu bastante a diferença de preços entre o fabricante legal e o ilegal”, afirmou ele.

No segmento de computadores mais avançados, entretanto, o percentual do mercado cinza cresceu de 30% para 35% no mesmo período.

“É que essas máquinas ficaram de fora dos incentivos fiscais e importador ilegal passou a atuar nesse nicho”, disse.

Ele acredita que sem PIS e Cofins, que têm juntos alíquota de 9,25%, os computadores de até R$ 2.500 a R$ 4.000 ficarão entre 10% e 12% mais baratos, já que haverá também maior escala e concorrência no segmento.

Além da redução de impostos e da queda do dólar, Rodrigues disse que a redução dos preços dos sistema operacionais também ajudou a baratear os computadores nos últimos meses.

Com a entrada do Linux em escala no mercado, ele afirmou que a Microsoft se viu forçada a lançar um sistema operacional mais simples, o Windows Start Edition, que custa cerca de R$ 80 para o licenciamento pelo fabricante.

Um outro incentivo para a compra de computadores neste ano, segundo ele, será o pacote de dez horas de internet que as operadoras de telefonia fixa prometem lançar em junho ao preço de R$ 7,50 ao mês.

“O cara que pertence à classe C já paga a parcela do computador que muitas vezes foi dividida em 20 vezes. Para essa pessoa, é muito pesado ter que arcar também com uma mensalidade de banda larga”, afirmou o consultor.

Orkut – 3 Anos, uma história de…

O Orkut completou ontem 3 anos de idade. A rede de relacionamento da Google tem uma história que mais parece uma novela da Televisa que foi dublada e sucesso no SBT. Lançado no dia 22 de janeiro de 2004, o Orkut.com foi criado por um funcionário da Google, Orkut Buyukkokten. Pra quem não sabe, a Google divide o tempo de serviço de seu funcionário assim: 10% em lazer, 20% criando novos serviços e os outros 70% trabalhando. Desses 20% saem muitas coisas boas, como o Orkut e o Google News.

A febre do Orkut começou à quase dois anos, quando cada vez mais brasileiros conseguiam acesso à rede de relacionamentos. Junto com essa popularidade repentina, veio os problemas: a equipe do Orkut não estava preparada pra tanto sucesso, ainda mais em outro idioma. São no total mais de 40 milhões de perfis no Orkut. Na América do Sul, sua “população” fica atrás só da Colômbia (44 milhões) e do Brasil (188 milhões).

A evolução brasileira é notável se comparar os dados de 2004 com os dados de hoje: O Brasil ocupava o 3º lugar no Orkut, com apenas 5% dos usuários declarados brasileiros. Em segundo ficava o Japão com 7% e em primeiro os Estados Unidos com 51% dos usuários. Hoje, os usuários declarados brasileiros são 58% do Orkut, seguidos dos EUA, com 17% e a Índia em terceiro com 12%. O Japão, que era segundo lugar no começo do Orkut, agora está em 7º, com menos de 1%*.

O sucesso é inegável. Inegável também são as crises que o serviço passou em 2005 e em 2006. Foram ameaças de bloqueio, processos e até uma ameaça de expulsão da Google do Brasil. Desde racismo até venda de drogas e pedofilia estão contados na lista de processos contra o Orkut. Com essas ameaçass, o Orkut teve que se moldar às leis brasileiras e corrigir a maioria dos bugs, para isso foi lançado em novembro a campanha “Mantenha o Orkut bonito”, seguindo o slogan que nunca foi utilizado pelo Orkut, “Orkut Beautiful”, “bonito” em inglês.

Hoje, muita coisa boa pode ser encontrada no Orkut, porém é encontrada muitas “pérolas”. Nós pesquisamos e encontramos algumas:


“Eu e a Fátima Bernardes (na verdade, é a Cristiane Pelajo no Jornal da Globo)

(Clique aqui e veja a imagem ampliada)

(“Eu jogando sinuca“)

Fica a pergunta no ar: será que o Orkut nos próximos anos será uma ótima fonte de informação e debates ou apenas virará uma lata de lixo virtual com mais besteiras como as acima? Eu aposto na segunda opção…