Campanha eleitoral: Vidente ou óbvio?

Uma campanha da frente de direita das eleições de 2006 que foi proibida pelo TSE fala que se o Lula fosse reeleito toda a corja voltaria. Não é que a profecia está se concretizando? Veja o vídeo:

Nós somos a Turma do Lula
A gente vive a negar
O mensalão, caixa 2 e sanguessuga
a gente tá tentando escapar

Nós somos a Turma do Lula
Bobeira foi nos cassar
Se o Lula for eleito de novo
A turma dele vai voltar

Mas, como disse Brizola nas Eleições de 89: “É o Diabo contra o Coisa Ruim, e o Inferno vai ganhar sempre!”.

Notas Rápidas (14/03)

Mercado nervoso
O mercado mundial enfrentou um pequeno colapso na tarde de ontem, 14. A culpa foi do mercado de crédito imobiliário americano, que enfrentou um grande calote, conhecido como “subprime”. As taxas de juros dos atrasos dos pagamento subiram para 14,44% e a taxa de residências entrando em hipoteca atingiram o recorde de 0,54%. A Bovespa ontem chegou a registrar quedas de até 2,57%. Hoje, a Bovespa fechou em alta de 1,25%, porém por volta das 13h registrou quedas de quase 2%. Já as bolsas de todo o mundo fecharam em queda.

Linkado
O blog Querido Leitor, de Rosana Hermann, nos linkou ontem. Sejam bem vindos, novos (e queridos) leitores.

Carrossel, by SBT, estréia novo horário de novelas do SBT
Um remake da novela mexicana Carrossel deve estrear o novo horário de novelas do SBT em junho. Carrossel, que em sua versão mexicana mexeu até com o Jornal Nacional, deve ser a nova aposta do SBT na produção de remakes da Televisa. As novelas-remakes do SBT nunca fizeram um grande sucesso. O último remake, Cristal, foi um fiasco. O próximo remake do SBT será Maria Esperança, baseado em Maria Mercedes, primeira novela da Trilogia-Marias da Televisa. A emissora de Sílvio aposta que com a nova forma de adaptação (adequando as realidades brasileiras e não apenas traduzindo os textos) fará mais sucesso. A idéia inicial é que depois de Maria Esperança, entre ao ar a versão brasilera de Amigas e Rivais, que segundo é informado à imprensa, seu começo será gravado no litoral mexicano e o resto no Rio de Janeiro. O SBT já está contratando várias crianças para o “novo” Carrossel.

Padrão estréia dia 26
O novo programa jornalístico de Ana Paula Padrão, o SBT Realidade, deve estrear no próximo dia 26, às 23:30, logo após o programa Hebe. Uma espécie de produção independente de Ana Paula dentro do SBT, livre das interferências do Patrão, o SBT Realidade será uma espécie de “meio-termo” entre os formatos do Fantástico e do Globo Repórter. Não se sabe quais as reportágens que irão ao ar. Provavelmente a reportagem que Padrão gravou na Amazônia irá ao ar. O horário é para bater de frente com o Repórter Record, que entra meia hora antes.

“Pelé Eterno” dá multa ao YouTube
Depois de ser multado em US$ 1 bilhão pela Viacom, a Google, dona do YouTube, foi condenada a pagar R$100 mil para a Anima Produções, empresa distribuidora do filme “Pelé Eterno”. O valor é de R$ 1 mil reais para cada trecho do filme. O advogado da Anima Produções é o mesmo do processo movido pela Cicarelli e seu namorado contra o site de vídeos. Ainda cabe recurso. Esse já é o quarto grande processo que o YouTube rendeu ao Google. O “PepinoTube” custou ao Google, até agora, mais de US$ 2 bilhões.

PMDB deve ficar com 5 pastas e Marta fica com o Turismo
E caminha a reforma ministerial pressionada. O PMDB, mais novo aliado político, deve ganhar mais três pastas (ministério no jargão político). São eles: Integração Nacional, Saúde, Agricultura. Comunicações e Minas e Energias já estão garantidos. O PDT deve ficar com o Ministério da Previdência e quem deve assumir é Carlos Lupi. Até agora estão confirmados: Ministério da Justiça (Tarso Genro) e Advocacia-Geral da União (José Antonio Dias Toffoli).

A expectativa é que ainda sejam anunciados José Gomes Temporão (PMDB) para a Saúde; deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) para a Integração Nacional; deputado Odílio Balbinotti (PMDB-PR) para a Agricultura; ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, para a Secretaria de Relações Institucionais; a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy para o Turismo. Outras mudanças devem ficar para a próxima semana. A turma está de volta!

Reportagem especial: O Aborto no Brasil

Quem é contra, muitas vezes faz; quem é a favor, muitas vezes hesita; quem decide ter, torna-se mãe exemplar. A questão do aborto no Brasil é tratada assim: com muita controvérsia e superficialidade por parte dos governantes, dos meios de comunicação e até mesmo da população. A busca pelos direitos ao aborto é uma luta que vem sendo travada há muitas décadas. De um lado, a Igreja e seus ideais conservadores pró-vida condenam a prática. Do outro, mulheres incompreendidas pela lei lutam pela libertação de seus corpos.

O aborto é a interrupção da vida intra-uterina, provocada pela própria gestante ou por terceiros. Os artigos 124 a 128 do Código Penal brasileiro prevêem o aborto como crime, mas com duas exceções advindas de situações: quando a gravidez oferece risco de morte para a mãe (aborto necessário) e quando a gestação e maternidade incutem vergonha ou raiva à mãe, como é o caso de gravidez derivada de um estupro (aborto humanitário). Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde, no Brasil, 31% das gravidezes terminam em abortamento, de modo que, a cada ano, ocorrem cerca de 1,4 milhão de abortamentos espontâneos e inseguros, com uma taxa de 3,7 abortos para 100 mulheres entre 15 e 49 anos. O abortamento é a quarta causa de óbito materno no país.

O professor do curso de Direito da Universidade Cidade de São Paulo, Ricardo Filizzola, explica que a grande verdade por traz do desejo de abortar é o egoísmo do ser humano. “A sociedade brasileira só busca pelo prazer. Então, se a gravidez é indesejada, serei obrigado a trabalhar mais para sustentar a criança”, diz. Ele afirma que a liberação do aborto seria uma forma dos governantes resolverem os problemas econômicos e sociais do país. “À medida que eles liberam o aborto, precisam de muito menos escolas, há menos insatisfação social, menos remédios”, justifica.

Segundo a Woman on Waves, associação feminista holandesa que protege os direitos das mulheres pelo mundo todo, cerca de 25% da população mundial vive em países subdesenvolvidos onde o aborto é considerado crime. Majoritariamente, os países que permitem a prática são ricos e desenvolvidos. Coincidência? Para o advogado Maurício Franchim, isso não é mera coincidência, e sim moralismo. “Acredito que a legalização do aborto nestes países se deva primeiramente ao conceito de moral que detém a população. Além disso, leva-se em conta o risco de superpopulação”, afirma. Já para o relações públicas, Demetrius Lins, a lei vigente nos países subdesenvolvidos se pauta na religião. “O aborto não é legal por questões éticas e religiosas. Esse é o caso do Brasil, e uma vez que a Igreja é totalmente contrária ao aborto, essa idéia se reflete em nosso país”, explica.

No dia 1º de julho de 2004, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, concedeu uma liminar autorizando que mulheres grávidas de fetos anencefálicos (sem cérebro) pudessem optar pela Antecipação Terapêutica de Parto em Caso de Anencefalia. Contudo, por pressão da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), no dia 20 de outubro de 2004 essa mesma liminar foi revogada por 7 votos a 4 com efeito “ex nunc”, ou seja, irretroativo. A relações públicas, Fabiana Franchim, arrisca que o que aconteceu neste caso não foi pressão religiosa, e sim lobby. “Não acredito que nos dias de hoje a Igreja ainda seja forte o suficiente para revogar uma liminar, se não houvesse ‘dinheiro por fora’ rolando”, afirma. O professor Ricardo Filizzola, vê esta liminar como contra a lei, já que este tipo de aborto consiste em antecipar a morte do feto. “Não há espaço na lei para esse tipo de interpretação. Não foi concedido direito a nenhum julgador o poder sobre a vida alheia. A liminar foi revogada por falta de fundamentação legal, e não por causa da CNBB”, garante.

Na mídia, não se mostram casos no Brasil de mulheres que abortaram ilegalmente e foram presas. Fabiana Franchim afirma que o motivo por traz deste fato é a falta de fiscalização. “Os médicos que fazem aborto camuflam bem isso, afinal eles são bem pagos por isso. E também é difícil reunir provas, pois dificilmente médico e paciente assumirão o ato ilegal praticado”, diz. Já Filizzola, acredita que a mídia participa do processo de liberação do aborto, por considerar isso um avanço para a humanidade. “A mídia contribui com a idéia de que a mulher tem a livre disposição sobre seu corpo e, portanto, ela tem a liberdade de escolher ter ou não a gravidez. O que geralmente vemos em reportagens são movimentos pró-aborto”, analisa.

Então, o aborto será legalizado no Brasil, algum dia? Para Maurício Franchim, sim. “Se assim desejar a população num clamor popular, não vejo alternativa aos legisladores que, senão, atender aos seus clamores. Mas acredito que, se isso ocorrer, o mesmo se dará num futuro longínquo, pois nossa sociedade é muito mais tradicionalista do que acreditamos e o são silenciosamente. Os liberais e os que clamam por mudanças é que fazem mais barulho, acreditando, inclusive, que são minoria da população brasileira”, afirma. Já Ricardo Filizzola, acredita que o aborto será legalizado, mas não vê isso como uma decisão ética. “A legalização do aborto somente vai autorizar a prática, mas o estudo que precisa ser feito é: isso é moral? Apesar da lei autorizar, isso torna o aborto moral?”, indaga o professor. Os dois advogados propõem uma solução para a questão do aborto. “Se a mulher não quer engravidar, existem os métodos anticoncepcionais”.  

ONGs brasileiras tem se formado em favor às políticas que reconhecem direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. O CFEMEA (Centro Feminista de Estudos e Assessoria) é uma das organizações não-governamentais feministas que mais lutam pela legalização do aborto no Brasil. Segundo a ONG, a criminalização do aborto não impede sua realização, já que existem inúmeras clínicas clandestinas espalhadas por todo o país. O Brasil é campeão em abortos clandestinos (cerca de 1 milhão por ano), o que ajuda a elevar o número de mortes maternas. A proibição do aborto atinge diretamente as mulheres pobres, pois estas são obrigadas a recorrer às clínicas clandestinas ou à métodos caseiros  (agulhas de tricô, pancadas na barriga, Cytotec etc) para abortar. Já as mulheres ricas, podem pagar médicos particulares para fazer o aborto sem precisar se preocupar com a lei, já que há o sigilo do médico.

Escrevi essa reportagem ano passado, para a faculdade. Mesmo sendo do ano passado, a discussão sobre a legalização do aborto no Brasil é sempre recente e gera muita polêmica.

O que vocês acham? Qual é a posição de vocês em relação ao aborto?
Vamos debater!