Bowling for Virginia Tech: a herança de Columbine

Bowling for Virgnia Tech

Hoje fazem exatos 8 anos desde o massacre de Columbine e 5 dias após a recente tragédia em Virginia Tech.

Eric Harris e Dylan Klebold, os precursores de massacres em escolas americanas, eram adolescentes aparentemente normais. Ótimos alunos, de boa linhagem, de invejável renda. No entanto, isso não era o suficiente para eles. Algo lhes faltava, algo lhes incomodava. Nenhum deles era popular no colégio, não ligavam para isso, se vestiam à sua maneira, o que era motivo de piada por parte das “panelinhas” dos atletas e mauricinhos. Ao invés de praticarem esportes, preferiam ficar em frente ao computador, trocando idéias sobre nazismo e bombas caseiras na Internet. Durante todo este tempo, a dupla planejava vingança; vingança contra aqueles que faziam suas vidas miseráveis, ridículas, vazias e sem valor.

Foi então que, naquela manhã de 20 de Abril de 1999, Eric e Dylan abriram fogo contra todos aqueles que os humilharam e os reduziram à nada durante aqueles anos em Columbine, no estado do Colorado. Munidos do lema “mato aqueles de quem não gosto, jogo fora o que não quero e destruo o que odeio”, eles mataram a tiros 12 alunos e um professor, antes de cometerem suicídio, totalizando 15 mortos.

Eis que essa semana alguém resolve prestar uma homenagem aos “mártires”. Cho Seung-Hui, um estudante sul-coreano de 23 anos, igualmente ridicularizado, humilhado e repleto de ódio, executou 32 pessoas de sua universidade. Assim como Eric e Dylan, Cho era perseguido pelos insultos e brincadeiras sem graça de seus “colegas” populares, que insistiam em fazem piadas com sua timidez e modo de falar. Seus professores do curso de Literatura o descreviam como “um cara solitário e perturbado”, “autor de textos violentos e assustadores”.

Tento entender ambos os lados e não consigo compreender como o ser humano pode ser tão extremo. O que levam as pessoas a se acharem superiores umas às outras? O que temos de diferente entre nós? Se eu não me visto como você, você pode me humilhar? Se eu não gosto de você, eu preciso te matar? Tudo é motivo de deboche, tudo é motivo de violência?

É aquela velha lei de Hitler (que, aliás, comemoraria seu 118º aniversário hoje se estivesse vivo): eliminar os impuros, os fora do padrão imposto. “Volte para China!”, diziam para Chu. “Seus Mercedes não eram o bastante, suas crianças chatas. Todos os seus deboches não bastavam”, desabafou Chu pela última vez, em uma fita de vídeo que enviou para a rede NBC. Afinal, quem é o mais hipócrita nessa história toda?

Para tentar entender o motivo pelo qual os EUA são palco para tantas tragédias juvenis, o cineasta Michael Moore filmou o documentário Tiros em Columbine, em 2002. Moore tenta analisar o que se passa na cabeça e na vida dos americanos para que eles cometam crimes como estes. A chacina em Columbine também serviu de inspiração para o cineasta Gus Van Sant, em Elefante, de 2003. O filme é simplesmente um Tiros em Columbine ensaiado, com roteiro, atores, script e nenhuma análise crítica explícita, ficando a critério do público tirar as próprias conclusões.

Vale a pena visitar o blog Bryce’s Journal, de um aluno de Virginia Tech que redigiu relatos e fez diversas filmagens no exato momento do massacre. Confiram: http://ntcoolfool.livejournal.com/

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6 comentários sobre “Bowling for Virginia Tech: a herança de Columbine

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