Depois de 56 horas, seqüestro termina sem vítimas

Chegou ao fim por volta das 20h desta quinta-feira (26) o drama da família de Campinas, a 95 km de São Paulo, que era mantida refém de um assaltante desde as 12h de terça-feira (24). Mara Tomaz Souza, de 30 anos, e seus dois filhos, de 7 e 10 anos, foram libertados sem ferimentos por Gleison Flávio de Salles, conhecido como “Madruga”, de 23 anos, que os mantinha sob a mira de uma pistola semi-automática.

A negociação para libertar os reféns presos dentro de casa foi a mais longa da história do estado de São Paulo. A segunda mais longa aconteceu em janeiro deste ano em Osasco, na Grande São Paulo, e durou 37 horas.

O bandido invadiu a casa das vítimas – na Rua Cineo Pompeu de Camargo, no Jardim Novo Campos Elíseos – quando fugia da polícia, depois de assaltar uma loja. O terceiro filho de Mara, Murilo, de 4 anos, também foi mantido refém, mas acabou libertado na terça-feira (24) em troca de um colete à prova de balas.

O menino Vitor, de 10 anos, continuou refém junto com a mãe e outro irmão até as 19h10 desta quinta, quando foi libertado. De acordo com a polícia, o menino está bem e já se encontrou com o pai, Isnaldo Soares de Oliveira. A primeira coisa que fez ao deixar a casa foi comer uma paçoca.

Mara e o filho de 7 anos continuaram reféns até as 20h, quando, após um barulho de tiro, agentes do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) invadiram a residência, prenderam o assaltante e libertaram os reféns. “Os três reféns saíram ilesos e temos também o seqüestrador preso ileso. A ação do Gate foi coroada de êxito”, disse o major responsável pela operação, Luciano Casagrande.

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Mara Tomaz chora ao lado do filho Thiago após fim do seqüestro (Foto: Reprodução TV Globo)

Segundo a polícia, o acordo com o seqüestrador era que ele deixaria a casa algemado à mulher chamada para auxiliar na negociação. No entanto, Gleison deu um tiro em direção ao portão da casa. Após o disparo, o Gate resolveu agir e invadiu a residência. Gleison correu para os fundos e foi encontrado embaixo de uma cama. Ele foi desarmado e acabou se entregando.

As luzes da casa foram acesas, no primeiro sinal de que o drama havia terminado. Luciano Casagrande foi o primeiro a confirmar que o seqüestro havia terminado: ele deixou a casa e fez sinal de positivo. Mara Tomaz deixou a casa acenando com o filho Thiago, de 7 anos. Os dois foram encaminhados a uma ambulância. No veículo, Mara recebeu um beijo do marido. A criança chorava em meio à confusão.

O seqüestrador passou por exames ainda dentro da casa das vítimas e deve ser encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) para fazer exame de corpo de delito, e depois, segue para a delegacia. O seqüestrador deixou o local às 20h45, no carro da polícia, descalço, de bermuda e sem camisa. Ele estava com o sobrancelha direita machucada. Ainda não se sabe o que provocou o ferimento.

O secretário de Segurança Pública do estado, Ronaldo Mazargão, chegou à casa onde ocorreu o seqüestro por volta das 20h45 para parabenizar os policiais que participaram da negociação.

Identidade do assaltante

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Murilo, de 4 anos, foi o primeiro libertado (Foto: Reprodução TV Globo)

O ladrão que invadiu a casa da família Souza recebeu pelo menos três identificações durante os dois dias de tensão. Primeiro foi Felipe, depois Ivanildo. A polícia divulgou na tarde desta quinta-feira (26) que o verdadeiro nome do assaltante é Gleison Flávio de Salles. Após o nome ser descoberto, uma ex-namorada próxima ao criminoso foi chamada para participar da negociação.

A mulher, que não teve a identidade revelada, foi quem assumiu a negociação com o criminoso desde o fim da tarde desta quinta. A conversa era feita por uma fresta da janela da casa onde aconteceu o seqüestro. De acordo com coronel da Polícia Militar Eliziário Barbosa, um dos comandantes da operação, Gleison demonstrava calma quando conversava com a amiga.

“Nunca tivemos uma negociação tão lógica desde o início do caso”, disse o coronel. Nos últimos momentos, Gleison já havia até abandonado a exigência de fugir em um carro. “Ele não falava mais em fuga, estava convencido de que iria ser preso”, contou o PM. Antes da invasão da polícia, o criminoso havia trancado as portas e construído barricadas para que as vítimas não saíssem.

De acordo com o major Luciano Casagrande, o criminoso nasceu em Recife e fugiu da penitenciária de Hortolândia, na região de Campinas. Gleison foi condenado em 2003 por homicídio e três tentativas de homicídio. Ele foi definido pelos policiais como uma pessoa imprevisível, instável e ameaçadora.

A ameaça aos policiais foi constante durante as negociações. “Ele está nervoso. Mantém sua posição firme e não dá espaço para o negociador. Faz sempre ameaças”, disse Casagrande durante o trabalho para libertar as vítimas. O assaltante insistia no pedido de um carro para fugir, o que foi negado durante todo o tempo pela polícia. Contrariado, ele suspendia as negociações e ficava horas sem fazer contato, o que aumentava a tensão. Ele chegou a propor a libertação das crianças para fugir no carro com Mara, hipótese também recusada pela polícia.

A residência ficou sem energia desde o início da madrugada de quarta-feira (25). Sem fósforos e, portanto, sem a possibilidade de cozinhar, o bandido e os reféns ficaram “à base de biscoitos”, segundo o major Luciano Casagrande.

Fonte: Portal G1

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Um comentário sobre “Depois de 56 horas, seqüestro termina sem vítimas

  1. este seqüestro não é algo pra deixar um ar de espanto. perto do atentado na virgínia isso é insignificante!
    tanta violência, tanta crueldade, tanta ignorância em um mundo repleto de delinqüêntes soltos que tem uma vida de rico enquanto metade do planeta vive em situações precárias por falta de dinheiro! se continua desse jeito pra que ainda tentar desvendar o motivo? isso não vai mudar o mundo mesmo! a única coisa que tem a dizer é: é muito triste…

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