“Uma vez por ano é muito pouco”, reclama público da Virada Cultural

A maior cidade do Brasil não dormiu nos dias 5 e 6 de Maio. Fotógrafa: Roberta Torres. População aproveita madrugada paulistana para conferir atrações culturais. Fotógrafa: Roberta Torres.

Depois de 24 horas ininterruptas de atrações culturais e artísticas, público ainda sente gosto de “quero-mais”.

A cidade de São Paulo deu um motivo adequado para seus habitantes não dormirem nos dias 5 e 6 de Maio: durante 24 horas sem parar, a terceira edição da Virada Cultural convidou a população paulistana para dançar, cantar e celebrar a diversidade cultural da cidade nas ruas da metrópole. Com mais de 350 atrações artísticas e culturais, que variaram de shows musicais, apresentações de danças, filmes e peças de teatros, o evento reuniu cerca de 3,5 milhões de pessoas em todas as regiões da cidade.

Apesar da grande variedade de eventos culturais que aconteceram ao mesmo tempo por toda São Paulo, o público ainda não está satisfeito. Para a jornalista Ana Conceição, a cidade oferece boas opções de lazer, mas critica a falta de democratização cultural. “Nem todo mundo tem acesso a tudo, pois está muito focado no centro de São Paulo. Há de se descentralizar os eventos e fazê-los na periferia também, pois é lá que as pessoas mais precisam deles”, explica. Por outro lado, ela afirma que o evento é de extrema importância no processo de revitalização do centro paulistano. “A prefeitura quer reviver o centro de São Paulo, mas só com a participação e incentivo do público isso será possível”, diz.

Segundo o estudante de filosofia, Abimael Matias dos Santos, que comparece todos os anos à Virada Cultural, o objetivo do evento é colocar a população em contato com suas raízes culturais. “A importância de um evento destes é trazer a sociedade brasileira para mais perto de sua identidade nacional”, afirma. Já na opinião do diagramador Alcir Antonio Gomes, a Virada Cultural é uma rara oportunidade de ver as melhores performances culturais reunidas em um só lugar, mas isso ainda está longe de ser o ideal. “Faltam eventos culturais, deveriam ter mais projetos gratuitos para facilitar o acesso da sociedade. Uma vez por ano é muito pouco!”, critica. E ele ainda faz um pedido aos órgãos responsáveis pela Virada. “É necessário mais incentivo e investimento por parte da prefeitura, estes eventos culturais ainda são insuficientes”, desabafa.

A Virada Cultural é uma iniciativa da Prefeitura de São Paulo em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura, o SESC-SP e a SP Turis. O evento acontece anualmente e traz as mais variadas atrações para atender todos os gostos e idades. A quarta edição da Virada Cultural já tem data marcada e acontecerá nos dias 26 e 27 de abril de 2008.

Mais informações, no site oficial: www.viradacultura.com.br.

Nota da repórter: eu estive no evento e afirmo, com todas as letras, que foi INCRÍVEL! No sábado à noite, estive no Theatro Muncipal, assistindo ao trompetista Raul de Souza pelo telão instalado na Praça Ramos. No domingo à tarde, me juntei à minha tribo na Barão de Itapetininga, na festa dos punks. Lá assisti o show histórico dos Garotos Podres (“Mais podres do que nunca”) e talvez amanhã estarei postando uma análise deste evento em particular.

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