“Não tem como ficar parado ao som dos Garotos Podres”, afirmam fãs da banda

Banda veterana do punk rock brasileiro levantou a bandeira do movimento na terceira edição da Virada Cultural

Banda veterana do punk rock brasileiro levantou a bandeira do movimento na terceira edição da Virada Cultural.

“São os Garotos Podres!”, grita uma legião de fãs ao desembarcar na estação República do metrô no último dia 5, por volta das 13 hs. Todos que passaram por ali afirmaram que era possível ouvir de longe os três acordes, as guitarras rápidas e os vocais inconfundíveis da banda Garotos Podres. Foi na Barão de Itapetininga, perto das Grandes Galerias do centro da cidade, onde os punks e os Garotos celebraram toda a força do movimento punk através de suas letras carregadas de indignação e fúria, ora irônicas, ora sinceras.

Com um repertório que reuniu os maiores clássicos da banda, como “Anarkia Oi!”, “Rock de Subúrbio”, “Vou Fazer Cocô”, “Ainda Vamos Aprender a Tocar Bossa Nova” e “Papai Noel Filho da Puta”, os punks transformaram a Virada Cultural em um palco para manifestações e reflexões. De acordo com a redatora do zine Coletivo, Natalia Borges, a importância da banda para o evento é colocar a população em contato com a realidade brasileira. “O punk é fundamental para as pessoas pensarem mais nas problemáticas de nosso país e em nossos governantes”, diz. Já a estudante Joyce Cristiane, afirma que isso não acontece na prática. “O povo vem pro show para encher a cara. São as mesmas pessoas que assistem ao telejornal só para esperar a novela começar e esquecem de tudo o que viram no noticiário. Eles são roubados enquanto vêem a novela das oito e está tudo bem!”, ironiza.

Por ser uma banda de punk rock que nasceu em 1982, em plena ditadura militar, os Garotos Podres já passaram por poucas e boas. Em 1985, lançaram seu primeiro álbum, intitulado “Mais Podres do que Nunca”, que chegou a vender 50.000 cópias, um recorde histórico de vendagem de discos independentes. Na época, a Censura Federal cumpria sua função à risca, o que fez com que diversas músicas do grupo fossem censuradas, como o hino “Johnny”, que teve sua execução proibida nos meios de comunicação. Outra faixa, como “Maldita Polícia”, teve seu nome trocado por “Maldita Preguiça” para burlar a censura.

A festa punk, que teve início às 9h45, com as bandas Cólera e Ratos do Porão, no entanto, não foi considerada igualitária e democrática. Grande parte do público feminino considerou o evento machista pelo fato de nenhuma banda feminina ter sido convidada. A estudante Cristiane Vieira foi uma das muitas que sentiu falta de vozes de mulheres nos shows. “Faltou feminismo neste evento, gostaria de ter visto bandas como Dominatrix e Bulimia, que são as maiores referências do movimento no Brasil”, desabafa. Já Natalia, percebeu uma ponta homofóbica na festa. “Me decepcionei por não ter visto nenhuma banda anti-homofobia na Virada Cultural”, lamenta. No entanto, o show dos Garotos foi o preferido entre as garotas. “É impossível ficar parado ao som deles”, afirmaram.

O evento Virada Cultural é uma iniciativa da Prefeitura de São Paulo em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura, o SESC-SP e a SP Turis. Todos os anos, são apresentadas as mais diversas atrações para atender todos os gostos e idades. A quarta edição da Virada Cultural já tem data marcada e acontecerá nos dias 26 e 27 de abril de 2008.

Mais informações, no site oficial: www.viradacultura.com.br.

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