Paixão a 1ª teclada: a modernização dos relacionamentos amorosos

As possibilidades para encontrar um relacionamento amoroso. Jovens procuram a Internet para escapar da solidão.

Jovens procuram a Internet para escapar da solidão.

Com a era digital, os relacionamentos amorosos ganham novo formato e os internautas experimentam novas sensações.

Há alguns anos atrás, as pessoas se conheciam, marcavam jantares à luz de velas e trocavam alianças de compromisso para firmarem o namoro. Hoje, com a popularização da Internet, homens e mulheres escondem seus nomes por trás de “nicks”, freqüentam salas de bate-papo, são fluentes em internetês e aposentam o telefone para utilizar o microfone, tudo para se adequar ao novo padrão de relacionamento amoroso: o namoro virtual.

Muitas vezes, a paixão via Internet acaba surgindo entre pessoas distantes umas da outras, o que dificulta o relacionamento “cara-a-cara”, seja por motivos financeiros ou temporais. De acordo com a relações públicas Fabiana Franchim, de Indaiatuba-SP, os namoros na rede costumam surgir em geral entre pessoas distantes, já que a maioria tem uma vida social local e está saturada dela. “O que acaba acontecendo é que a oportunidade que a Internet nos propicia de entrar em contato com um universo extremamente maior aguça nossa curiosidade e faz com que as pessoas de outras culturas acabem sendo mais interessantes do que a que está próxima de nós”, explica.

Na Internet, as pessoas sentem-se mais seguras e à vontade para falar e fazer coisas que jamais fariam fora da rede. Para a estudante Catarina Duarte, de Cascais-Portugal, o envolvimento e grau de intimidade são muito maiores na Internet, o que propicia o início de namoros virtuais. “As pessoas ficam mais desinibidas e falam mais à vontade por trás de um monitor”, afirma. Já Fabiana, acredita que não existem diferenças entre relações virtuais e não-virtuais, o que muda é a forma como elas acontecem. “Todo relacionamento tem o mesmo princípio: o sentimento. E ele, antes de mais nada, é real”, diz.

Todo relacionamento virtual tem como desvantagem o perigo, pois não é possível saber ao certo quem está do outro lado, quem finge e quem é real. No entanto, na grande rede também há muitas pessoas dispostas a iniciarem relações amorosas sinceras e verdadeiras. Hoje, pessoas de diferentes países se conhecem na Internet, se vêem por webcams e iniciam namoros sem se conhecerem em “carne e osso”. Segundo Catarina, só quem tem amizades pela Internet sabe como elas podem ser tão ou mais verdadeiras quanto as tradicionais. “Aqueles que não tem acesso à Internet, dizem sempre que amizade virtual não é verdadeira, sendo que tem vezes que são muito mais do que aquelas que temos pessoalmente”, critica.

Dentre as ferramentas mais utilizadas para conhecer novas pessoas, estão os mensageiros instantâneos, salas de bate-papo e até sites de relacionamentos. Vale tudo para “desencalhar” e encontrar a pessoa perfeita, mas os preferidos pela maioria são o MSN e o Skype, que proporcionam troca de idéias em tempo real, visualização da outra pessoa via webcam e conversas por voz. Para o estudante Maurício Novelli, de São Paulo-SP, estes dois programas são os melhores para se falar com os amigos. “Quase todo mundo usa, então é um modo fácil, rápido e barato de se comunicar”, explica. Já o estudante Gabriel Fonseca Navarro, de São José dos Campos-SP, utiliza mais os fóruns, devido à facilidade de conversação entre várias pessoas. “É o mais fácil de entrar e tem mais gente. Você pode conversar melhor com diversas pessoas em aberto”, diz.

E quando surge o desejo de se ver cara-a-cara? Muitos internautas já viveram esta experiência, como o estudante universitário Gabriel Borges da Costa. Teclando de Salvador, Gabriel conheceu Tatiana, do Rio de Janeiro, por meio de um fórum. Eles se encontraram pessoalmente três vezes e, no início, a parte mais complicada para ambos era a despedida. Porém, ao contrário da maioria dos relacionamentos virtuais, que desmoronam por causa da distância e da saudade, o namoro do casal acabou devido à convivência, que trouxe à tona os defeitos. “Ela ficou um mês em casa. Eu não agüentava mais. Ela começou a ficar chata, mimada e preguiçosa. Depois disso, decidi empurrar o namoro com a barriga, até que ela pediu um tempo e eu disse que para mim já tinha dado. E foi o fim definitivo”, lembra. Para ele, o maior erro cometido em namoros virtuais é hospedar a pessoa em sua casa. “A convivência diária dá uma sensação de casamento, e isso não é bom para o começo”, diz. E deixa um conselho: “a convivência deve acontecer aos poucos, para nos acostumarmos com os defeitos e qualidades da pessoa”, conclui.