Morre o senador Antonio Carlos Magalhães

 

Dida Sampaio

Uma das principais lideranças da política nacional, o senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA) morreu nesta sexta (20), aos 79 anos, no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor), em São Paulo.

Segundo nota divulgada pela assessoria do Incor, ACM morreu às 11h40 desta sexta “em decorrência de falência de múltiplos órgãos secundária à insuficiência cardíaca”.

De acordo com a assessoria do senador, o velório será no Palácio da Aclamação e o enterro, no cemitário Campo Santo, ambos em Salvador (BA). Segundo a assessoria, o corpo não deverá deixar o hospital antes das 14h, por conta dos procedimentos burocráticos relacionados à liberação.

A Presidência da República informou que vai colocar à disposição da família um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para transportar o corpo de São Paulo para Salvador.

O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), divulgou nota na qual “lamenta o falecimento do senador” e decreta luto oficial de cinco dias no estado.

“Durante as últimas décadas, Antonio Carlos Magalhães exerceu reconhecida liderança política na Bahia e no Brasil, onde ocupou, sucessivamente, os mandatos de deputado estadual e federal, Prefeito de Salvador, Governador do Estado por três vezes, Ministro de Estado e Senador da República”, diz a nota, assinada pelo governador.

O filho de ACM, o empresário Antonio Carlos Magalhães Junior, é o primeiro suplente do senador e deve assumir a cadeira.

Problemas renais e cardíacos

A saúde do político baiano, diabético e com problemas renais e cardíacos, agravou-se em 2007. Debilitado, ACM foi hospitalizado quatro vezes neste ano. Em março, foi internado no Incor com quadro de pneumonia e disfunção renal. Depois, voltou a ser hospitalizado em 17 de abril, 29 de maio e 13 de junho.

Os problemas cardíacos do senador baiano vinham de longa data. Em 1989, ele sofreu um infarto e colocou quatro pontes, duas safenas e duas mamárias. No início da década de 90, também passou por cirurgia para retirada de três cálculos renais.

Formado em medicina, ACM era casado com Arlete Maron de Magalhães, com quem teve quatro filhos: Antonio Carlos Peixoto de Magalhães Júnior, Teresa Helena Magalhães Mata Pires, Luís Eduardo Magalhães e Ana Lúcia Maron de Magalhães.

Amado e odiado, ACM sempre esteve próximo do poder federal. Foi aliado do regime militar pós-1964 e do tucano de Fernando Henrique Cardoso e apoiou Lula na eleição de 2002.

O senador começou a carreira política em 1954, quando se elegeu deputado estadual na Bahia pela antiga UDN (União Democrática Nacional). Também foi três vezes deputado federal, três vezes governador da Bahia, prefeito de Salvador, além ter sido eleito senador em 1994 e 2002.

Após a morte do filho Luís Eduardo Magalhães em abril de 1998, Antonio Carlos Magalhães Neto se tornou o principal herdeiro político de ACM. Um dos mais jovens parlamentares do Congresso Nacional, ACM Neto, 28 anos, está em seu segundo mandato na Câmara.

Fonte: G1

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3 comentários sobre “Morre o senador Antonio Carlos Magalhães

  1. Eu não gosto do ACM. Ele, um coronelzinho cuja família – inclusive o próprio – mandava na Bahia, como uma família real que fica se sucedendo no poder, faz parte de uma ala que eu não me simpatizo nem um pouco.

    Tudo bem, ele fez bastante pelo seu estado. Mas toda a sua trajetória, apoiando o regime militar e depois virando a casaca para a democracia, fortalece a imagem do autoritário que tem o poder de defender quem quiser, como quiser, pelo que quiser.

    O pior é que a Globo ficou tratando-o como um herói sem calças. Quando foi acusado de corrupção, ACM disse que daria a volta por cima. E a Globo, defendendo a politicagem, disse que ele conseguiu dar a volta por cima quando, anos mais tarde, se reelegeu como senador. Ah! Uma rede nacional de televisão deveria defender o interesse da população. É óbvio que políticos corruptos não devem voltar ao poder, muito pelo contrário, devem ficar sem ele pelo resto da vida. Esqueci que estamos falando da Globo…

    Em outras entrevistas que vi do ACM, só consegui tirar uma conclusão: tinha tudo para ser um ditador da democracia.

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