Globovisión: “Nós somos a próxima RCTV”

Segundo a diretora jurídica da TV venezuelana Globovisión, Ana Cristina Nunez, o governo do presidente Hugo Chávez e a Assembléia Nacional estão finalizando uma estratégia legal para retirar do ar a emissora de jornalismo 24 horas, alegando irregularidades na concessão.
Funcionários temem uma invasão da sede em Caracas.

O Globo: Qual a justificativa legal do governo e do Parlamento para intervir na Globovisión?

Ana Cristina Nunez: O governo e o Parlamento já preparam há algum tempo uma estratégia para retirar a Globovisión do ar. Várias questões legais e burocráticas que a lei nos obriga a cumprir em vários ministérios não estão sendo feitas, mas não por nossa culpa. Os órgãos do governo estão travando esse processo. Com isso, em breve poderão alegar irregularidades e suspender a concessão, mesmo ela não estando para vencer.
Nós somos a próxima RCTV.

As ameaças do Parlamento foram diretas. A ação do governo contra a emissora está mais próxima?

Ana Cristina: Sem dúvida. A deputada Iris Varela é quem coordena no Parlamento, junto com o governo, a estratégia para nos retirar do ar. Ela já conclamou publicamente a população a invadir a Globovisión. Disse que o povo tem poder para fazer isso. Todos estão com muito medo. Avisamos a polícia, as Forças Armadas e o governo. Ninguém nos respondeu. Nossos funcionários são ameaçados nas ruas e vivem com medo.

Como a emissora vai se defender?
Ana Cristina: Temos recursos em várias instâncias da Justiça, mas nada foi definido até agora a nosso favor. Preparamos um documento para divulgação de nossos problemas e ameaças. Mas o governo tem o controle da situação. Infelizmente, é a situação que a Venezuela vive hoje. (L.V.)

Fonte: O Globo

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2 comentários sobre “Globovisión: “Nós somos a próxima RCTV”

  1. Recomendo a todos que leram este post, inclusive quem postou, que assistam o documentário “A Revolução Não Será Televisionada” que está disponível gratuitamente no YouTube:


    Documentário “A Revolução Não Será Televisionada” no Youtube

    (este é um link para a primeira parte, as outras se encontram ao lado, o documentário é IRLANDÊS mas está com legendas em português para as partes em inglês e as falas em espanhol.)

    Ao assistir o documentário, que mostra claramente as manipulações feitas pela RCTV no Golpe Militar que removeu o governo democraticamente eleito do poder durante um dia, inclusive cortando o sinal de transmissão ao canal televisivo estatal, fica claro o porquê da não renovação da RCTV, bem como o porquê de tanta propaganda contra o governo que segura o 3o maior recurso petrolífero do mundo.

    Não sou chavista nem defendo o governo chavez, que acho que tem falta de jogo de cintura e um enorme problema de comunicação; mas as manipulações da mídia nacional venezuelana e internacional (Grupos Globo e Abril inclusos) foram “longe demais” naquele momento, inclusive não transmitindo tudo que acontecia quando o presidente foi trazido de volta ao poder (enquanto Carmona fugia pra Miami).

    Não se trata de ser “contra” ou “a favor” do governo Chavez, mas sim da soberania nacional sobre os interesses extrangeiros e, principalmente, do processo DEMOCRÁTICO, que se fragiliza a cada vez que um golpe ocorre, não apenas lá, mas em toda a América Latina.

    Sendo a renovação de concessão das redes de TV na Venezuela – assim como no Brasil – renováveis apenas pelo governo, a não-renovação é um aspecto totalmente constitucional lá, assim como seria aqui.

    O documentário aborda o assunto durante 75 minutos, inclusive com cenas de dentro do palácio antes, durante, e depois do golpe. O grupo que o fez tinha ido fazer um documentário sobre o governo na Venezuela, e acabou sendo “pego de surpresa” durante o golpe, e tendo a sorte de filmá-lo de dentro do palácio, com chances de serem bombardeados.

    As imagens são reveladoras, e demonstram não só a manipulação de mídia lá, mas como ela ocorre – dentro deste próprio assunto – de forma tão caricata em toda a América Latina, uma vez que as pessoas pensam e ‘despensam’ baseadas em não muito mais que estes meios de comunicação, que passam, portanto, a influenciar a realidade.

    Fica a dica, toda fonte jornalística é sempre indireta, e deve ter seus comprometimentos com interesses externos checado.

  2. Gostaria apenas de acrecentar que A Venevisión, Globovisión e Televen, todas as três e não apenas a RCTV se recusaram a transmitir as notícias desfavoráveis aos golpistas. Fizeram-no conscientemente. Aliás, durante a manhã do golpe insistiram em passar programação infantil, no intuito de impedir as pessoas favoráveis a Chavez de virem engrossar o maciço caudal de cidadãos chavistas que rodeou o palácio presidencial e os golpistas (um acto que salvou o presidente democraticamente eleito- da morte, provavelmente, e seguramente de ser inconstitucionalmente substituído por um governo provisório tendo à frente do mesmo o dirigente de uma confederação patronal venezuelana)
    Reitero a afirmação do anterior comentados sobre a necessidade de assitir ao documentário “The revolution will not be televised”.

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