São Paulo: ‘Minha mãe está sofrendo’, diz irmã de seqüestrador

Doméstica Susi Alves diz que irmão e a ex-namorada se davam bem. Armado, rapaz faz a menina de 15 anos refém há 48 horas.

Por Juliana Cardilli
Do G1, em São Paulo

Uma das irmãs mais velhas do rapaz que mantém a ex-namorada refém dentro de casa desde segunda-feira (13), a doméstica Susi Fernandes Alves, de 26 anos, não vê a hora de o seqüestro acabar. “Se pudesse falar com ele, pediria que se entregasse logo porque minha mãe está sofrendo muito, e a gente [Susi e suas duas irmãs] também.

Segundo Susi, o irmão e a ex-namorada se davam muito bem. “Não tenho o que falar mal dele. Ele não bebe, não fuma. A gente achava que eles iam voltar. Eles se gostam muito.”

Irmão mais novo de três mulheres, Lindemberg Fernandes Alves, de 22 anos, mudou-se com a família de Patos, na Paraíba, para São Paulo quando tinha apenas 2 anos. Susi diz que ele sonhava com o casamento. “Ele sonhava em se casar, mas queria montar antes a casa dele.”

O advogado contratado pela família de Alves, Eduardo Lopes, afirmou que está no local para tranqüilizar o seqüestrador e proteger a integridade física dele. Segundo o defensor, Alves foi informado pela polícia que já tem advogado. O defensor disse ainda que a família está traumatizada e que não esperava essa atitude de Alves.

Em liberdade

A adolescente de 15 anos que foi libertada na noite de terça (14) do apartamento estava sendo ouvida pela polícia no 6º Distrito Policial de Santo André, no ABC, na manhã desta quarta.

A garota chegou no final da manhã e, até as 12h40, permanecia no local. A família da adolescente pediu aos policiais que avisassem a imprensa que ela não vai falar com os jornalistas.

A garota estava na casa da amiga fazendo um trabalho de escola quando Alves invadiu o local, na tarde de segunda-feira (13), e fez reféns todos que estavam lá. Na noite de segunda, ele liberou dois colegas da ex-namorada, mas a adolescente preferiu ficar porque temeu pela integridade física da amiga, que estava sendo ameaçada pelo seqüestrador.

A tia da jovem contou ao G1, nesta manhã, que ela está preocupada com a amiga, que continua em poder de Alves em um apartamento em um cojunto habitacional. “Ela está preocupada com a amiga. Ela falou que não ia sair enquanto ele não libertasse as duas, mas chegou uma hora que não agüentou mais”, disse Fabiana Vieira de Souza, de 33 anos.

De acordo com a tia, a jovem foi levada a um hospital, onde foi medicada. Ela conseguiu dormir já na madrugada desta quarta. “Graças a Deus ela está bem. Hoje ia fazer exames que foram pedidos”, informou a tia. A menina contou à família que o jovem disse que não faria nada contra ela. “Ele falou que gostava muito dela, que não ia fazer nada”, afirmou. Apesar disso, o rapaz teria chegado a amarrá-la.

A preocupação da adolescente e da família dela agora está voltada para a menina que segue refém. “A gente está mais aliviado, mas esperamos que ele liberte a outra moça logo”, disse a tia na manhã desta quarta-feira (15).

Negociações

A polícia retomou as negociações, por volta das 8h desta quarta-feira (15), mas depois de um primeiro contato com Alves, não conseguiu mais falar com ele.

De acordo com o relato de parentes e da polícia, o rapaz invadiu o apartamento  no Jardim Santo André por ciúmes. Um dos adolescentes que também foi feito refém disse que o seqüestrador estava nervoso. “Ele disse que ela (ex-namorada) ferrou com a vida dele, porque ele terminou, mas ela não quis voltar. Disse que ficou um mês atrás dela e que se não ficasse com ele, não iria ficar com mais ninguém.”

No começo da noite, o capitão Adriano Giovaninni, do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar (PM), afirmou que descartava a invasão do local “apesar de ele (o seqüestrador) estar sendo muito agressivo”. “A postura é resolver de forma pacífica. A negociação é o primeiro ponto”, disse Giovaninni.  O capitão afirmou que todos os contatos estão sendo feitos por telefone.

Segundo Giovaninni, desde o início do seqüestro, o rapaz efetuou quatro tiros. Dois foram disparados na segunda-feira, um deles em direção a policiais militares. Na terça, ele atirou outras duas vezes, possivelmente em direção aos jornalistas.  “Mas não dá para saber realmente se ele atirou no chão ou pra algum outro lugar”, ressaltou Giovaninni.

Comida

A polícia montou uma base para coordenar a operação em uma escola pública ao lado do prédio e as aulas foram suspensas. Segundo a polícia, apenas os moradores de um apartamento no mesmo andar foi esvaziado. De acordo com reportagem do SPTV, no início da tarde a polícia mandou comida para as reféns e o seqüestrador. Os pais das duas jovens e os adolescentes que chegaram a ser mantidos reféns foram ouvidos ao longo do dia em uma delegacia de Santo André.

Ciúmes

A promotora de eventos Suellen Dafne Padiar, de 18 anos, amiga das vítimas que acompanha de perto o drama das meninas em frente ao prédio, descreveu o jovem como uma pessoa “possessiva e ciumenta”. Segundo ela, a briga, ocorrida há um mês e meio, foi motivada por ciúmes.

“Ela [a refém] adicionou um amigo da escola no Orkut e ele ficou com ciúmes”, contou. Suellen afirmou que o jovem quis terminar o relacionamento, como sempre fazia depois das discussões. “Ele sempre terminava, brigava por nada”, disse.

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