Plano Doxiadis: a melhor obra do Rio que nunca saiu do papel

O plano tinha o projeto de unificar o Rio através de linhas expressas. Das 5 linhas, só duas foram construídas

Por Luan Borges
Direto ao Ponto // Inovando e Informando

Os engarrafamentos são os maiores problemas das grandes metrópoles

Os engarrafamentos são os maiores problemas das grandes metrópoles

Um dos maiores vilões da vida agitada do Século XXI é, sem dúvida, o engarrafamento. Ficar preso num engarrafamento é uma das maiores causas de estresse. As maiores metrópoles do mundo sofrem com esse problema. No Brasil, a cidade de São Paulo é a recordista em engarrafamentos. Já a cidade do Rio de Janeiro encontrou uma solução parcial para o problema: a Linha Vermelha e a Linha Amarela. Essas duas vias fazia parte de um plano de urbanização, que nunca foi concluído.

Em 1960, ainda no antigo Estado da Guanabara, o então governador Carlos Lacerda encomentou ao arquiteto grego Constantino Doxiádis um projeto de urbanização do Rio de Janeiro. Doxiádis, então, propôs a construção de 5 grandes linhas que cortariam a cidade, interligando diversos pontos.

Linha Vermelha (ligando São Cristóvão à cidade de São João do Meriti)

Linha Amarela (liganda a Barra da Tijuca à Ilha do Fundão)

Linha Verde (ligando a Via Dutra à Gávea)

Linha Marrom (ligando o Centro à Santa Cruz)

Linha Azul (ligando a Zona Sul à Barra da Tijuca)

O arquiteto Constantino Doxiadis

O arquiteto Constantino Doxiádis

O projeto, chamado de Plano Doxiadis, mas também conhecido como “Plano Policromático”, foi concluído em 1963, porém só foi publicado em 1965, no final do governo de Carlos Lacerda. O sucessor, o governador Raphael de Almeida Guimarães, não colocou o projeto em prática. Em 1975, o Estado da Guanabara se fundiu com o Estado do Rio de Janeiro, e o Plano Doxiadis continuava no papel.

O cenário só foi revertido em 1992, 27 anos depois, quando o então governador Leonel Brizola começou a construção da primeira parte da Linha Vermelha: um trecho de 7 km entre São Cristóvão e a Ilha do Fundão. Em 1994, o segundo trecho, de 14km, foi inaugurado, ligando a Ilha do Fundão à Rodovia Presidente Dutra, na altura da cidade de São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

Em 1995, o então prefeito César Maia iniciou a construção da segunda parte do Plano Doxiadis, com a construção da Linha Amarela em 3 lotes:

Lote 1 – Ligando a av. Ayrton Senna, na Barra, à av. Geremário Dantas, em Jacarepaguá

Lote 2 – Ligando a av. Geremário Dantas, à Rua Pernambuco, no Encantado

Lote 3 – Ligando a Rua Pernambuco à av. Novo Rio, em Bonssucesso

A Linha Verde começou a ser construída, com a av. Pastor Luther King Jr. (antiga av. Automóvel Clube) e o Túnel Noel Rosa, porém não passou disso.

A Linha Amarela só foi executada 30 anos depois

Tanto a Linha Vermelha quanto a Linha Amarela são vias importantíssimas para a cidade do Rio de Janeiro. Ambas as linhas desafogaram o trânsito, diminuíram o tempo de viagem entre pontos extremos do Rio, e ajudaram na urbanização da cidade.

Apesar disso, a cidade do Rio tem deficiência principalmente em ligação à zona oeste com o centro e a zona sul. Há somente uma via de ligação, a problemática Av. Brasil. Qualquer problema que haja nessa via, seja uma chuva, um carro quebrado ou simplesmente excesso de veículos, congestiona completamente a linha, e um trajeto que poderia ser feito em 30 minutos, acaba durando mais de duas horas.

Já a Linha Azul, ligando a Zona Sul à Barra da Tijuca, começo da Zona Oeste, facilitaria a ligação da Zona Oeste à Zona Sul, um trajeto demorado e complicado. Para ir da Zona Oeste à Zona Sul, é necessário fazer um grande e demorado tour pela cidade.

Com a construção da Linha Marrom, ligando o Centro à Santa Cruz, cortando toda a zona oeste, iria redistribuir o número de veículos trafegando na Av. Brasil, agilizando o trajeto e otimizando o tempo do trafegante.

A Av. Brasil constantemente está engarrafada

Além da agilização do trânsito na cidade, a conclusão do Projeto Doxiadis geraria vários empregos. Durante a construção da Linha Amarela, foram gerados mais de 5 mil empregos diretos, e mais de 15 mil indiretos.

A construção da Linha Amarela foi mais barata que a polêmica construção da Cidade da Música, que custou mais de R$ 500 milhões e foi inaugurada ainda incompleta. Sabemos que um povo não vive sem cultura, mas como o povo vai ter acesso à cultura, se não há estradas até ela? Fica a dica…

5 comentários sobre “Plano Doxiadis: a melhor obra do Rio que nunca saiu do papel

  1. O Plano Doxiadis tambem previa a Linha Lilás, e esta foi a primeira a sair do papel, liga Laranjeiras ao Santo Cristo na zona portuária da cidade. Só que esta linha não tem a propaganda maciça que as suas irmãs ricas Vermelha e Amarela e talvez tão mal tratada quanto sua irmã inacabada e abandonada Verde (Av. Pastor Martin Luter King – antiga Automóvel Club – e Tunel Noel Rosa).

  2. A Linha Azul não seria uma ligação entre a Barra e a Zona Sul. Esse é um erro que está se propagando pela internet. A Linha Azul do Plano Doxíades ligaria o Recreio à Duque de Caxias, passando pela Salvador Allende, André Rocha, Cândido Benício, etc.

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