Morre o deputado e apresentador Clodovil Hernandes

Médicos confirmam a morte cerebral de Clodovil Hernandes

Por Luan Borges
Direto ao Ponto
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Clodovil faleceu na tarde desta terça

Clodovil faleceu na tarde desta terça

Foi confirmada a morte cerebral do deputado e apresentador Clodovil Hernandes (PR-SP), na tarde desta terça-feira. O parlamentar sofreu um AVC na manhã da última segunda, 16, e foi levado para o hospital Santa Lúcia, em Brasília.

Clodovil ainda sofreu uma parada cardiorrespiratória de cinco minutos na tarde da última segunda-feira que foi rapidamente revertida.

Carreira e História

Nascido em 17 de junho de 1937, no interior de São Paulo, Clodovil Hernandes foi adotado por um casal de imigrantes espanhóis.

Nos anos 60, se consagrou como estilista de alta custura, mantendo ‘rivalidade’ com o também estilista Denner. “Essa rivalidade era uma brincadeira minha e dele. Éramos muito amigos”, disse Clodovil durante sua participação no programa “Nada Além da Verdade”, do SBT.

Nos anos 80, apresentou na TV Globo o programa “TV Mulher”, considerado revolucionário na época, ao lado da então sexóloga Marta Suplicy.

Em 1992, Clodovil foi para a extinta Rede Manchete, apresentar o “Clodovil Abre o Jogo”, programa de entrevistas onde Clodovil lançou seu famoso bordão “olha pra lente da verdade”.

Em 2001, Clodovil foi convidado pela TV Gazeta para apresentar o programa “Mulheres”, ao lado de Christina Rocha. Com um temperamento forte, e uma língua afiada, Clodovil fazia críticas a colega ao vivo, no ar. Meses depois, Clodovil passou a apresentar um talk-show nas noites da emissora.

Em 2004, Clodovil, na RedeTV!, passou por uma polêmica com o programa “Pânico na TV!”, da mesma emissora. Clodovil foi convidado a calçar as “Sandálias da Humildade”. Clodovil, então, recusou os dois ‘convites’ do Repórter Vesgo. Na terceira vez, Clodovil foi perseguido pelos integrantes do “Pânico”, tendo o seu veículo fechado em plena Marginal Pinheiros. “Fiquei assustado, achei que fosse um sequestro”, declarou Clodovil em entrevista ao “Nada Além da Verdade” em 2008.

No dia seguinte, Clodovil desabafou em seu programa e deixou o estúdio com o programa ainda no ar. Depois de dois dias, Clodovil foi demitido, e sua multa rescisória ter sido paga.

Em 2006, Clodovil se candidatou à deputado federal pelo PTC-SP, e teve o terceiro maior número de votos em São Paulo. Clodovil usou bastante da ironia em sua campanha, usando frases como “Vocês acham que eu sou passivo? Pisa no meu calo para você ver…”. Clodovil foi o primeiro deputado homossexual assumido. Apesar disso, declarou-se contra a Parada do Orgulho GLBT, o casamento gay e o movimento homossexual brasileiro. “Eles (os homossexuais) querem respeito, mas a maioria deles não se dão ao respeito”, declarou Clodovil.

Em 2007, Clodovil foi contratado pela extinta TV JB para apresentar o programa “Por Excelência”. Por problemas de saúde, Clodovil foi demitido da emissora, e semanas depois, a emissora deixou de ocupar o sinal da CNT.

Também em 2007, Clodovil se envolveu em uma discussão com a deputada Cida Diogo (PT-RJ), por conta de uma declaração de Clodovil: “as mulheres ficaram muito ordinárias, ficaram vulgares, cheias de silicone” e que atualmente “as mulheres trabalham deitadas e descansam em pé”. Ao ser questionado pela deputada sobre a declaração, Clodovil retrucou: “Digamos que uma moça bonita se ofendesse porque ela pode se prostituir. Não é o seu caso. A senhora é uma mulher feia”

Em julho de 2008, Clodovil apresentou a proposta de uma emenda constitucional pretendendo reduzir a quantidade de deputados de 513 para 250.

Uma figura polêmica, Clodovil foi acusado duas vezes de racismo. A primeira em 2004, na RedeTV!. Clodovil chamou a vereadora Claudete Alves de “macaca de tailleur metida a besta”. A vereadora entrou com uma queixa-crime contra o apresentador. Clodovil alegou em sua defesa que a palavra “macaca” foi usada com o intuito de demonstrar que a vereadora “gostava de aparecer”, e não com conotação racista.

A segunda foi em 2006, numa entrevista da Rádio Tupi, onde Clodovil se referiu ao negro como “crioulo cheio de complexo”. Para suportar suas opiniões, disse à rádio carioca que existe um “poder escuso, que está no subsolo das coisas”.

Citações de Clodovil

“Não sou incauto como o presidente, que chegou ignorante ao poder e misturou álcool a isso tudo.” – Quando eleito deputado

“Hoje já não existem mais estilistas. São um monte de bichas.” – Sobre sua profissão de estilista

“Temperaram um pouco o chuchuzinho, ficou ótimo” – Sobre o temperamento agressivo de Alckmin nas eleições de 2006

“Se o Collor tinha aquilo roxo, o meu é cor de rosa-choque.” – Em entrevista ao jornal O Globo

“Maligno é o que se passa em Brasília. Aquilo é pior do que um câncer.” – Sobre o tumor maligno que foi identificado em sua próstata.

“Digo aos senhores que a única coisa de que tenho medo – já me fizeram muito medo aqui, como estrangeiro que sou nesta Casa – é da expressão ‘decoro parlamentar’. Eu não sei o que é decoro, com um barulho destes enquanto um Deputado fala. Eu não sei o que é decoro, porque aqui parece um mercado! Nós representamos o País! Não entendo por que há tanto barulho enquanto um orador está falando. Nem na televisão, que é popular, fazem isso.” – Em discurso na Câmara de Deputados

Vídeos de Clodovil

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