Por um mundo sem racismo, machismo e homofobia

POR UM MUNDO SEM RACISMO, MACHISMO E HOMOFOBIA

A Parada do Orgulho GLBTT tem caráter festivo, mas também levanta bandeiras contra o preconceito.

Gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, transgêneros e simpatizantes se unem no último dia 10 para celebrar a 11ª edição da Parada do Orgulho Gay, realizada anualmente com apoio da Prefeitura de São Paulo. O domingo ensolarado, com temperatura acima dos 27ºC, ferveu a avenida Paulista, o cartão-postal da cidade, durante toda a tarde. A Parada é, além de um dia de festa, alegria e descontração, uma luta pelos direitos do segmento GLBTT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transgêneros e Transexuais) e pelo fim do preconceito.

Este ano, o evento traz o lema “Por um mundo sem racismo, machismo e homofobia” e atrai não somente a comunidade GLBTT, mas também “curiosos” e simpatizantes. É o caso do aposentado José Eliton e da dona de casa Santa do Couto, moradores da região que assistem a Parada todos os anos. “O que passa por aqui é uma irradiação de energia harmoniosa”, afirmam. Para eles, o evento é uma forma de combater o preconceito. “Ninguém pode nos impor regras. Somos todos iguais. E a Parada é um modo das pessoas abrirem a mente e deixarem de ser ignorantes”, explicam.

Junho, considerado o mês da diversidade sexual, traz turistas de todas as partes do mundo e retorno financeiro para a cidade. O estudante de Medicina, Fabrício Castelo Branco, veio de Teresina, no Piauí, para passear por São Paulo e “foi inevitável”, conta, “estava passando pela cidade e coincidiu com a Parada Gay. Resolvi vir dar uma olhada”. Para o estudante, eventos como este não bastam. “A mídia tem que divulgar e expor mais, mostrando que não é doença, é algo normal. E os ativistas também tem que bater o pé no chão e exigir espaço para passarem sua mensagem”, diz.

De mãos dadas, abraçados, trocando beijos e carícias. Esse é o cotidiano do assessor do município de Campinas, Luiz Carlos Cappellano, e do professor de administração, Carlos Eduardo Valim Rocha. Casados há um ano, eles garantem que demonstram o mesmo afeto tanto na Parada Gay, quanto em restaurantes e outros locais pelos quais passeiam. “A Parada deve ser realizada em nossas vidas todos os dias. Não somos gays só uma vez por ano porque vamos sair na TV. Somos assim sempre”, contam. Um evento como este, segundo eles, “ajuda na questão da visibilidade da nossa identidade, demonstrando que não somos cidadãos de segunda classe”.

O casal explica que a mídia de massa passa uma imagem estereotipada e deturpada dos homossexuais através de personagens e acontecimentos isolados que não retratam a realidade e que, desta forma, pré-conceitos são criados. “Sempre somos ligados às drogas, salto-alto, batom, peruca e promiscuidade! Nós não gostamos da nossa imagem associada com drogas, com noite, com balada”, criticam. De acordo com o casal, “com a escorregada que deram com os panfletos essa semana, por exemplo, o pessoal mais conservador vai atacar a Parada e desqualificá-la, dizendo que incentiva o uso de drogas”. Na opinião deles, isso acontece devido ao fato da mídia ser controlada por elites. “Para a mídia interessa passar essa imagem fútil. Às elites só importa manter o status quo”, observam.

Com um público estimado em mais de 3,5 milhões de pessoas, a maior Parada GLBTT do mundo teve início às 13h30 e terminou por volta das 19h30. Logo pela manhã, autoridades compareceram ao evento e destacaram a importância da manifestação para a visibilidade GLBTT.

Depoimento: Orgulho de ser o que é

da Folha Online

por Luiz Caversan

“Minha mãe não sabe, se soubesse ia chorar muito. Meu pai? Me mataria muito! Quer dizer, me mataria, porque matar é matar, muito ou pouco, não importa. Meu irmão desconfia, porque já tentou duas vezes dar em cima de amigas minhas e se deu mal, elas não estavam nem aí com ele. Já comigo…

Fui sempre assim, e tem gente que ainda fala que é uma “opção”. Opção a gente opta, e eu nunca optei por gostar de mulher. Apenas gosto. E não gosto só de sacanagem, não, é gostar do carinho, do afeto, entende?, da alegria que elas têm e que eu tenho, da vontade de ficar juntas, da amizade e da solidariedade, do bom caráter, porque mau caráter pode ser gay, lésbica ou macho pacas que eu quero distância…

Meu pai e minha mãe, que são “normais”, estão juntos há 40 anos e são absolutamente infelizes, de que adianta essa normalidade e esse estar certo hipócrita?

Se é assim, eu estou errada mesmo e pronto, dane-se.

Agora é mais fácil, as coisas evoluíram e embora ainda tenha muita gente ignorante que faz questão de não entender, de achar que é pura promiscuidade e malandragem, muitas outras pessoas entendem ou pelo menos nos aceitam. A mim têm que aceitar mesmo, porque eu sou independente, bem sucedida profissionalmente e, modéstia à parte, muito bonita –você não acha?

Não sou masculinizada, ao contrário me considero bem feminina, mas tenho amigas tipo “caminhoneira” que no fundo são uns doces, assim como há muito homem bruto pra fora e extremamente sensível por dentro. Mas essas amigas tipo “mulher macho” também não são assim porque querem, são porque são, oras. Exageros? Claro que tem exagero. Quanto tempo essas moças foram reprimidas, hostilizadas, segregadas? No fundo tentam compensar anos e anos de preconceito. Mas o que você tem a dizer sobre esses caras tipo pitboys, bombados e tatuados? E as peruas botocadas e vestidas com grife dos pés à cabeça e que dão em cima de garotões nos bares da vida? Não são exageradas também?

Meu caro, a vida é curta, curta a vida, viva e deixe viver, como se dizia na Bahia anos atrás. Vai amanhã lá na Parada Gay pra ver que lindo. Serão milhares de pessoas exibindo sua alegria de viver –e otras cositas más, mas e daí, os heteros não exibem quase tudo no Carnaval e na praia e ninguém não está nem aí?

Ficar chocado não vai ajudar a entender.

Aliás, não há muito o que entender, porque o processo de entendimento está em pleno processo, sacou?

E o mais importante agora é a consciência de a gente ser o que é e, ao invés de vergonha, ter orgulho de ser. Tenho orgulho de ser uma homossexual feminina e acho sinceramente que se os homens heteros tivessem orgulho de serem assim e as mulheres também, esse mundo seria muito, muito melhor.”

(Depoimento de uma amiga linda e absolutamente resolvida, que veio a São Paulo para, com muito orgulho, participar da Parada Gay)

————————————-

Ah, se todos fossem menos hipócritas e seguissem o exemplo de nossa “amiga linda e absolutamente resolvida”… bom saber que o mundo está, aos poucos, mais colorido!

Viva a diversidade sexual!

Parada Gay deve reunir 3 milhões na Paulista, estima prefeitura

da Folha Online

A 11ª edição da parada gay deve reunir 3 milhões de participantes no próximo dia 10 de junho (domingo), a partir das 13h, na av. Paulista, estimou a Prefeitura de São Paulo, nesta quinta-feira (31). É a primeira previsão oficial de público para o evento, que registrou, no ano passado, um recorde de 2,5 milhões de pessoas (segundo a Polícia Militar).

Nas últimas semanas, a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo evitava fornecer uma estimativa para este ano, sob argumento de que o importante era politizar o público sobre o tema do evento (“Por um mundo sem racismo, machismo e homofobia”), e não bater sucessivos recordes.

Para os organizadores, no ano passado, o número de participantes atingiu 3 milhões, ou seja, 500 mil pessoas acima da estimativa da polícia. A previsão da prefeitura foi divulgada em nota pela Cads (Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual), ligada à Secretaria Especial para Participação e Parceria.

Na última edição do livro “Guiness”, a parada de SP é considerada a maior do mundo –o número citado pela publicação é 2,5 milhões.

Serão 23 trios elétricos simbolizando o combate ao machismo, ao racismo e à homofobia. A concentração será em frente ao Masp (Museu de Artes de São Paulo).

A Cads confirmou as presenças de autoridades na parada, como o governador José Serra, o prefeito Gilberto Kassab e a ministra Marta Suplicy (Turismo). Nesta quinta-feira, Kassab manifestou apoio ao projeto de união civil entre pessoas do mesmo sexo, durante sabatina da Folha.

Outra novidade da parada foi anunciada hoje: uma parceria entre a Cads e a Sabesp(Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) vai garantir, pela primeira vez, a distribuição de água mineral aos participantes.

Segundo a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros, está prevista para este ano a realização de 85 paradas e 19 eventos do orgulho gay em todo o país.

——————————————

A correspondente de São Paulo do Blog Internacional irá cobrir o evento e trará notícias em primeira mão sobre a maior festa gay do mundo. Sugestões de pauta são bem-vindas, é só comentar neste post!

Rádios Comunitárias: Descentralizando a Informação

Direto de São Paulo para o Blog Internacional

Em um mundo marcado pela falta de liberdade e solidariedade, elas lutam pela democratização das comunicações, exercem cidadania nas comunidades carentes e sua programação diferenciada agrada a todos os segmentos sociais. Tudo isso sem fins lucrativos. No entanto, elas são tão perseguidas quanto as bruxas durante a Idade Média: são as rádios comunitárias, ora heroínas do povo, ora vilãs das autoridades. Na década de 1980, eram pouco mais de 100 pequenas emissoras e hoje, de acordo com a Associação Mundial das Rádios Comunitárias (AMARC), já são mais de quinze mil espalhadas por todo o Brasil. Delas, se beneficiam políticos, líderes religiosos, excluídos, donas-de-casa e anunciantes, enquanto policiais federais fazem arrastões e saqueiam equipamentos dos estúdios. A repressão faz parte do dia-a-dia das rádios que querem, das que não querem e das raras que já conseguiram a concessão por parte do Ministério das Comunicações para operarem dentro da lei.

Regularizadas ou não, as rádios comunitárias não desistem de lutar contra a censura e se unem pelos mesmos ideais: promover mudanças sociais, unir a comunidade e democratizar a informação. É o caso da Associação Rádio Comunitária Infinita, uma emissora focada na questão social dos imigrantes latino-americanos que residem em São Paulo. Segundo o diretor da rádio, Andres Espinosa, o projeto de criação da Infinita surgiu pela falta de um meio de comunicação que atendesse as necessidades dos imigrantes que residem na cidade. “Nosso público-alvo é a comunidade boliviana, porém, outros povos também estão incluídos, como os paraguaios, chilenos e uruguaios, pois eles também não possuem um canal de comunicação para com a comunidade”, afirma Espinosa, que recorreu ao portunhol durante toda a entrevista. Os doze idealizadores da rádio são amadores voluntários, membros da própria comunidade latino-americana, e só falam espanhol – inclusive a programação da rádio é feita neste idioma.

Sintonizada na freqüência 106,7 FM, a rádio já existe há quatro anos e é mantida graças ao auxílio que a comunidade presta à rádio. “Ela (Infinita) só existe porque as pessoas participam ativamente, contribuem para o desenvolvimento comunitário e todos buscam a liberdade de expressão”, explica o diretor. Além do compromisso com a realidade local, a emissora também se preocupa com o lazer e com a educação de seus ouvintes. Das 5h00 às 0h00, há programas para adultos, jovens e crianças, que vão desde noticiários sobre a América Latina, passando por educativos, até programas estilo “Top 10” de músicas populares da Bolívia. Para latino-americano nenhum botar defeito.

A Infinita FM tenta ser o mais aberta possível com seu público. A comunidade latino-americana da região conhece a rádio de perto, mas por medo de serem fechados, não há abertura para outras pessoas e autoridades. Segundo Espinosa, eles já entraram em contato com deputados, senadores, empresários e até com a própria Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), responsável pela regulamentação das rádios comunitárias, para resolver a questão da legalidade. “É um meio que envolve leis e muita burocracia, então a emissora não consegue sair da irregularidade”, lamenta. Apesar das restrições legais, a emissora atinge cinco bairros da capital paulista, que são: Brás, Bom Retiro, Casa Velha, Belém e Vila Maria.

De acordo com o site da ANATEL, as emissoras interessadas em sair da ilegalidade devem preencher um formulário, enviá-lo para o Ministério das Comunicações e aguardar o processo. Foi exatamente isso que os membros do Conselho Comunitário de S. Paulo – Tatuapé e Vilas Adjacentes (CCSP) decidiram fazer antes de ligar seu transmissor. Devido ao alto grau de influência na comunidade local, o então presidente do CCSP, Cleber Onias Guimarães, pensou: “bem que o Conselho poderia ter uma rádio!”. Foi então que, em 1998, Cleber resolveu mandar toda a papelada para Brasília e aguardar pelo processo. No entanto, já se passaram 9 anos, e a relações públicas Malu Olivier, afirma que nada foi feito. “São uns ordinários! Somos obrigados a nos legalizar, mas eles não nos permitem sermos regularizados”, reclama. A emissora foi ao ar durante um mês, em caráter experimental. Tempos depois, os equipamentos foram vendidos antes que estragassem, e o que restou foi somente a antena, em cima do telhado do CCSP, formando ferrugem e servindo de poleiro para os pombos.

No entanto, o atual presidente do Conselho Comunitário de S.Paulo, Douglas Guimarães Onias, ainda mantém esperanças e diz que ano que vem a rádio deverá estar regularizada “por causa das eleições”. Ele ainda afirma que “tudo na vida é lobby” e acredita que com rádios comunitárias a conversa não muda. “Para eles [Anatel] não importa quantas assinaturas meu abaixo-assinado tenha, o que importa são minhas influências políticas”, critica. Douglas também diz que o maior problema não é conseguir a concessão, e sim atrair ouvintes, e é por esse motivo que muitas rádios não abandonam a ilegalidade, pois “invadem” o sinal das comerciais e as pessoas passam a sintonizá-la “sem querer”. Segundo o presidente, a rádio do Conselho seria fundamental para as comunidades do Tatuapé e bairros próximos, pois serviria como porta-voz dos moradores e também para informar sobre os eventos que ocorrem na região.

De Rádio Livre à Cidadã: confira as diferenças entre elas

Segundo o livro Trilha Apaixonada e Bem-humorada do que é e de como fazer Rádios Comunitárias na Intenção de Mudar o Mundo, de Dioclécio Luz, são estes os tipos de rádios:

RÁDIO LIVRE
 
É aquela montada por uma pessoa ou grupo com interesses próprios. Pode ser de esquerda, direita, comercial, anarquista, católica… Foram elas que deflagraram o processo de democratização dos meios de comunicação no país e no mundo.

Particularmente defendo as rádios livres como um direito da pessoa ou grupo de difundir suas idéias usando a radiodifusão. Se a rádio agride pessoa ou instituição há leis para puni-la, isto não é problema. Mas considero um abuso do Estado querer dominar e assim restringir o uso da radiodifusão a alguns setores e pessoas. Como diz Marisa Meliani: “as rádios livres são a representação de indivíduos e comunidades. Elas surgem, movidas pela sociedade desorganizada, nas áreas de maiores carências da população, sem comida, sem teto, sem bibliotecas, sem cinemas e sem cidadania. São a voz de milhões de marginalizados do poder, que estão a dizer que querem participar”.
 
 
RÁDIO CORNETA
 
Em cidades do interior funcionam estas ‘emissoras’ que propagam notícias, música e publicidade por meio de fios e cabos ligados a alto-falantes ou cornetas espalhadas pelas ruas — principalmente nas praças e feiras. Muitos desses sistemas de som se auto-intitulam ‘rádios comunitárias’. Alguns planejam sua modernização, adquirindo transmissores e passando a transmitir em FM.

O sistema geralmente pertence a uma ou duas pessoas de poucos recursos que têm paixão pelo rádio. Estas ‘emissoras’ prestam um grande serviço à comunidade. O retorno financeiro é pequeno. O principal inconveniente é que o ouvinte não tem direito a ‘mudar de estação’ como numa rádio tradicional porque os alto-falantes estão pregados nos postes tocando e falando para todo mundo (para quem quer, e quem não quer ouvir, conforme os gostos e os desgostos do operador)
 
RÁDIO COMUNITÁRIA
 
É uma emissora administrada por um conselho da comunidade, sem fins lucrativos; não pertence a religião, partido ou empresa; seu objetivo maior é o desenvolvimento da comunidade.

Conforme a legislação, a rádio comunitária opera em FM. Ela deve ser plural e democrática — tem que abrir espaço para todas as pessoas, todos os partidos, todas as religiões.

Não pode fazer proselitismo religioso (propaganda religiosa, catequese). A religião pode pertencer ao conselho comunitário, mas não pode ser a entidade única no conselho, para não caracterizar a propriedade.
 
 
RÁDIO PIRATA
 
A expressão ‘rádio pirata’ nasceu no final da década de 50, quando algumas emissoras foram montadas dentro de barcos, transmitindo de fora das águas territoriais da Grã-Bretanha para escapar ao âmbito estatal. “O costume de erguer uma bandeira negra, símbolo dos corsários, e ter fins lucrativos, dá origem ao nome rádios piratas”.

As rádios piratas inglesas eram exatamente o contrário das comunitárias de hoje. Elas nasciam com caráter comercial, para ganhar dinheiro, combatendo o monopólio estatal das telecomunicações representado pela BBC (British Broadcasting Corporation).
 
 
RÁDIO CIDADÃ
 
É um conceito definido pela AMARC (Associação Mundial das Rádios Comunitárias). Refere-se a toda emissora que, independentemente de tamanho, qualidade ou situação financeira, tem parte do seu espaço voltado para questões de cidadania, saúde, meio-ambiente e educação.  
 

—————————————–

Opinião da repórter: como na reportagem não é permitido expor opinião, me expresso aqui nesse cantinho. As rádios comunitárias são o meio de comunicação mais democrático, revolucionário, livre e imaginativo que existe. Como é um meio auditivo, não exclui os que não sabem ler nem escrever, sendo transmitido freqüentemente nas línguas locais da comunidade. É revolucionário porque existe simplesmente para ajudar e unir a comunidade, fazê-la compartilhar interesses comuns num mesmo local, contribuindo para o desenvolvimento de uma forma progressiva, promovendo mudanças sociais e democratizando a comunicação através da participação de toda a comunidade. Todos têm voz ativa, algo inimaginável na grande mídia! As rádios comunitárias promovem, ao mesmo tempo, a cultura, a paz, a união, a democracia e os direitos humanos. Por estas razões, o rádio tem penetrado no mundo, mesmo nas áreas mais remotas e continua a ser o veículo de maior audiência no Brasil. É lamentável que a legalização destas envolva tantos obstáculos. O Brasil necessita de meios de comunicação alternativos, já que na grande mídia não há espaço para a verdadeira liberdade de expressão… só a de faz-deconta.

Polícia fecha rádio “pirata” que “interferia” no tráfego aéreo

da Agência Folha
da Folha Online

Policiais civis do GOE (Grupo de Operações Especiais) e agentes da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) fecharam ontem à noite em São Paulo uma rádio pirata que funcionava em uma casa na rua Ângelo Tarchi, Jardim Herculano, no Jardim Vera Cruz, zona sul da capital.

Segundo informações da polícia, a rádio operava na freqüência 103.5 MHz e chegou a interferir no tráfego do aeroporto de Congonhas.

Os equipamentos foram apreendidos e uma pessoa que estava no local foi presa em flagrante, mas pagou fiança e foi solta após prestar depoimento.

A ocorrência foi registrada no 100º Distrito Policial do Jardim Herculano, na zona sul.

 ————————————————-

Um crime contra a liberdade de expressão!

“Se rádio comunitária derrubasse avião, terrorista não comprava bomba e nem se preocupava em colocá-la dentro da aeronave – comprava um transmissor de FM”.

Esta frase, extraída de um comunicado da Frente Parlamentar em Defesa das Rádios Comunitárias (FPDRC), critica os levianos e sensacionalistas argumentos divulgados pelas grandes emissoras, monopólios econômicos que ditam as regras da radiodifusão no Brasil, na tentativa de corromper a opinião pública contra as rádios comunitárias (pejorativamente intituladas de: “piratas”).

As grandes rádios, inconformadas e com medo do avanço dessas mini-emissoras, fazem estrondosas campanha conta elas, utilizando argumentos que vão desde a suposta interferência em ondas eletromagnéticas, exercício ilegal e clandestino de profissionais e o mais assustador de todos: as rádios estariam interferindo nas comunicações entre as torres de comando dos aeroportos e os aviões, pondo em risco o tráfego aéreo! Em suma, locutores inflamados passaram a dizer que rádios de diminuta potência derrubam aviões, estimulando seus ouvintes a denunciarem à Anatel e à Polícia Federal… é cada uma…

Leia reportagem postada acima para entender mais sobre rádios comunitárias.