Las duas caras de Doña Bella

A novela brasileira que fez sucesso no exterior ganha nova roupagem latina, completamente diferente do original

Por Luan Borges

Ana Jacinta de São José foi um personagem histórico brasileiro, uma das personalidades mais influêntes das Minas Gerais no século XIX, e viveu em Araxá, MG. Esta é Dona Beija, que teve sua vida retratada em dois livros: Dona Beija, a Feiticeira do Araxá, de Thomas Leonardo e A Vida em Flor de Dona Beija, de Agripa Vasconcelos. Os dois livros deram origem a telenovela Dona Beija, produzida pela extinta Rede Manchete em 1986 e reprisada em diversas ocasiões. A última em 2009, no SBT.

A novela foi vendida para todo o mundo, e fez bastante sucesso no mercado latinoamericano. Tanto sucesso que a novela ganhou uma nova versão em língua hispânica. Mas como refazer uma produção baseada em um personagem histórico brasileiro, que tem como plano de fundo um momento único para a nossa história, como a Inconfidência Mineira, o Movimento Republicano e Abolicionista? Simples: tira tudo isso.

É isso que acontece em Doña Bella, produzida pela colombiana RCN Televisión – a mesma que produziu Betty, a Feia –, para a hispano-americana TeleFutura. A nova versão de Dona Beija utiliza-se apenas da espinha dorsal da história, verdadeira, de Ana Jacinta de São José, demonstrando um total desrespeito das emissoras latinas não só com a história e a teledramaturgia brasileira, mas também com o público. Se perde do figurino, cenário, importância dramatúrgica, atuação e mais um pouco: se perde da verdadeira história.

Enquanto na versão brasileira Dona Beija é raptada por Mota, ouvidor do rei, e levada para a cidade de Paracatu e lá, para se vingar de seu sequestrador, se entrega ao bel prazer dos homens poderosos daquela região, em troca de jóias e ouro, que a deixa por ser chamado para o Rio de Janeiro pelo rei; na versão latina, Doña Bella é raptada por um mega empresário, estuprada e abandonada por ele.

Enquanto a nossa Dona Beija, após voltar para Araxá, é rejeitada por Antônio, já casado com outra mulher, Beija funda a histórica Chacará do Jatobá, um refinado bordel onde ela é a cortesã, a Doña Bella deles volta para Araxá – sim, a história deles se passa no Brasil –, é rejeitada por Antonio, já casado com outra, começa a se prostituir, sem lembrar o glamour de Dona Beija.

Doña Bella não passa nem perto da importância histórica e das peculiaridades da dramaturgia única da extinta Manchete. Lembra sim as mais melodramáticas produções da Televisa, cujo a sinopse parece ter surgido de mais um surto criativo de Inés Rodena. É usar a embalagem de um belo produto, pra vender um genérico de péssima qualidade.

Meia Hora – Jornalismo?

Jornal popularesco traz manchetes de gosto duvidoso

Por Luan Borges
Direto ao Ponto

O tablóide Meia Hora chegou como um jornal que iria revolucionar o Rio de Janeiro. Seu formato pocket, com só um caderno, pequeno, e de linguagem menos robusta, chegou às bancadas cariocas por apenas 50 centavos. Foi um fenômeno e se tornou o carro-chefe do Grupo O Dia, chegando a ser mais vendido que o próprio “O Dia”.

A mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores, o mesmo jardim...

A mesma praça, o mesmo banco...

Com o preço popular, o periódico passou a se aproximar cada vez mais do ‘povão’. A lingagem menos robusta deu lugar ao popular, que agora é popularesmo, beirando o mau-gosto. Na edição da última quarta-feira, foi estampada na capa do jornal a foto da última eliminidada do BBB, em letras grafais: “Chupa, Tessália”. Logo mais abaixo, um trocadilho de péssimo gosto: “Adeus ET”, com uma foto do humorista ET, falecido ontem, e ao lado um cartaz do filme “ET”. E como não esquecer da manchete sobre a morte de do rei do pop Michael Jackson? “Nasceu negro, ficou branco, e agora vai virar cinza”.

Sem comentários...

A lista de manchetes “engraçadinhas” não pára por aí. Podemos citar também as lendárias “Fábio Assunção dá um tempo na carreira”, “Luana Piovanni não tem mais Dado em casa”, “É, nem, vazou” (sobre o vazamento do ENEM) e “Ma-ma-ma-mataram o Ga-ga-ga-guinho”, a indecifrável “Espírito de Marcelo está preso na Terra e pode assombrar Fernanda e Susana”, a ‘hilariante’ “Ronaldo, o povo quer saber, que time é teu?”, a quase impublicável “Ovo podre vira remédio para bilau preguiçoso” e a preconceituosa “Clodovil vira porpurina”. Mas uma não pode deixar de figurar a lista de sandices deste jornal: “Inglês de 13 anos vira o corninho mais jovem do mundo”, complementado com o sub-título “DNA revela: bezerro manso não é o pai!”.

Além das piadas de fazer inveja ao time de roteiristas do Zorra Total, o jornal traz termos que lembram o lendário “O Povo”: meliante, canalha, bandidão, elemento, safadinha, entre outros. O tablóide parece uma nova versão dos extintos “Casseta Popular” e “O Planeta Diário”, que deram origem ao “Casseta e Planeta” da Globo, porém de uma forma de mais mau gosto e que tenta se vender como um jornal de verdade.

Pornografia é um dos carros-chefes do jornal

O mais lamentável é que, na última página do jornal, há uma coluna intitulada “Gata da Hora”, onde uma ‘leitora’ do jornal envia uma foto somente de bíquini para ser publicada, gratuitamente. A desculpa é que a, digamos, ‘modelo’ é uma “homenagem” a algum time carioca. Porém, além da coluna, na edição de domingo, por mais alguns reais, você pode levar a “Revista Gata da Hora” que contem fotos mais ‘ousadas’ das ‘modelos’.

Em suas matérias, os ‘jornalistas’ dispensam os julgamentos: já condenam os acusados sem chance de defesa. Enquanto os principais jornais usam termos como “suspeito”, o Meia Hora já chama de “mau caráter” e no rodapé da página, que antigamente era preenchido com pequenas notícias e informações adicionais da matéria, hoje é preenchido com frases clichês como “Vai sentar no colo do capiroto”, “Vai apodrecer na cadeia”, “Já vai tarde”…

É lamentável ver um jornal tão ruim sendo tão vendido e copiado, enquanto o histórico “Jornal do Brasil” está ameaçado de sair de circulação. Aliás, o que esperar de um jornal que o Lula quer ser colunista? Espero ao menos que os redatores corrijam os erros de português…

TV e futebol: as semelhanças entre as torcidas

midia

As torcidas entre TV e futebol são bastantes semelhantes

Por Luan Borges

Ver briga de SBTistas e Recordistas por audiência é tão engraçado. Parece até conversa de bar entre flamenguista e vascaíno. Enquanto no futebol são usados jargões como “impedimento”, “juiz ladrão”, “falta”, “tira-teima”, na TV é “consolidado”, “Montenegro ladrão”, “prévia”, “realtime”. Mas o fanatismo e a inutilidade são as mesmas. No futebol, quem lucra são só os cartolas e jogadores de futebol, já na TV, somente os donos das emissoras e apresentadores.

A semelhança entre as torcidas de futebol com as torcidas de TV são tantas que já existe a mesa redonda oficial do ‘televisionismo’ brasileiro: A Roda da Fofoca da Sônia Abrão, com direito a gritaria e excesso de merchans característico de Milton Neves, seu equivalente no campo futebolístico.

Enquanto no futebol as torcidas vibram nas arquibancadas, na televisão, a torcidas acontece na internet: fórum, Orkut, comentários de blog, Twitter… Qualquer lugar é lugar de vibrar e torcer pela emissora favorita.

Assim como no futebol, as chacotas entre torcidas adversárias acontecem a pleno vapor. Apelidos como SBTraço, Recópia, Globosta, são comuns, assim como Bambi, Flamerda, Vaiscaíndo.

Santo André, Bangu, XV de Piracicaba se equivalem a Band, RedeTV!, Gazeta: pequenos mas tem seu público cativo. E assim como no futebol, a troca de estrelas são constantes na TV. Recentemente vimos a rixa entre o Sport Club Silvio Santos e o Clube de Regatas Universal. Eram feitos contratos milionários com a promessa de que assim conseguiriam liderar o campeonato, ou, pelo menos, vice-liderar. No ataque, foi feito um troca-troca. A Record levou Gugu Liberato e sua equipe. Em contra-partida, Silvio Santos reforçou o ataque, meio de campo, defesa e até a comissão técnica, tudo do time adversário. E, é claro, as torcidas vibraram com as contratações.

E, assim como no futebol existem os saudosos torcedores de times já extintos, como o Bauru, existem os torcedores das emissoras já extintas, como os saudosos Manchetistas, que se reúnem para ver no Youtube aberturas de novelas como Pantanal, Dona Beija, Ana Raio e Zé Trovão, Kananga do Japão e tantas outras produções da Manchete e se lamentar pelos anos dourados que se findaram.

Enfim, poderia escrever mais quinhentas linhas enumerando as semelhanças entre torcedores de futebol e torcedores de TV, mas seria inútil. Tão inútil quanto comemorar a audiência do último episódio de “Sobrenatural” no SBT ou o placar do jogo do Flamengo no último domingo. Mas antes de encerrar, confesso: sou um torcedor fanático: tanto no futebol, com o meu Flamengo, quanto na TV, com o meu SBT. Tanto nos estádios de futebol quanto nos controles da televisão, deveria ter um selo com o aviso: “Torcida: aprecie com moderação.”

EDITORIAL: Brasil, o país que nasceu na cagada

brasil

Em 7 de setembro de 1822, D. Pedro, no meio de uma diarreia, proclama a independência do Brasil

Por Luan Borges

Nos livros de história, a independência vem relatada assim: “No dia 7 de Setembro de 1822, Dom Pedro I proclamou a Independência do Brasil, às margens do Rio Ipiranga, libertando-nos de Portugal”.

Pintura de D. Pedro, nas margens do (posto) Ipiranga

Na sátira, D. Pedro proclama a independência as margens do Posto Ipiranga

O que não contam é que o garanhão-mor do Império, na verdade, estava acometido por uma bela diarreia no dia em que “proclamou” (sim, entre aspas mesmo) a república. Antes de dar o grito que “tornou” o Brasil independente, “Independência ou morte!”, ele havia dado uma ‘aliviada’ em uma casa próxima ao Ipiranga. O brado forte retumbante, presente no hino, é mais brado da caganeira que D. Pedro estava do que o grito de independência.

Podemos, assim dizer, que o Brasil nasceu no meio de uma cagada, e que até hoje vive na cagada. Por onde olhamos, vemos merda por todos os lados. Na política, vivemos a política do “merda até transbordar”. Vemos o caso do excelentíssimo senador, ex-presidente e sempre bigodudo José Sarney. O velhinho não conhece ninguém, nem mesmo seu afilhado de casamento e nega conhecer pessoas que tem o sobrenome Sarney. Isso não é caso pra CPI, é caso pra neurologista! Internem o Sarney, por favor, ele é o único no Brasil todo que não sabe o que é ato secreto.

Indo um pouco mais a fundo, merda maior é ver Fernando Collor de Mello, aquele que o Brasil expulsou à vassouradas do Palácio da Alvorada, de volta ao poder, dessa vez no Congresso Nacional, e ainda com pinta de homem honesto. É ou não é de causar disenteria?

Isso para não citar o caso do Mensalão. Dos 40 acusados, só dois foram impugnados. E os outros 38? São inocentes? Caso esquecido, caso abafado, caso passado.

Dizem que as merdas só estão na política. Pior que não. Me diga, quanto você paga na sua internet banda-larga? Está satisfeito com ela? Pois saiba que o que temos em mãos é sucata. Enquanto você acha que está com o produto top de linha, nas regiões mais desenvolvida, como EUA e Europa, a situação está mil vezes melhor e com o preço mil vezes menor.

Na televisão, nem se fale. Uma ataca a outra, uma acusa a outra. Uma xinga a outra. E no meio disso, o telespectador, que só quer uma programação de qualidade, onde só há “mais do mesmo”, onde a cópia impera e reina. Uma TV de primeira merda!

E no meio desse monte de bosta, está o povo brasileiro. Povo brasileiro que ri, povo brasileiro que bate palma, povo brasileiro que vive do panis et circus. Povo heroico, dê seu brado retumbante pela independência e o fim do Império da Merda Brasileira! Enquanto o país estiver deitado em berço esplêndido, nunca seremos um país de verdade. Gigante pela própria natureza, levantemos desse berço e lutemos. Façamos o futuro que espelhará essa grandeza chegar. Façamos algo pela pátria amada, Brasil!

Equipe do Direto ao Ponto inaugura rádio online

midia

Rádio Griffe G conta com equipe a do Direto ao Ponto no setor de jornalismo

Por Luan Borges

Griffe G contará com equipe do Direto ao Ponto

Griffe G contará com equipe do Direto ao Ponto

A equipe do blog Direto ao Ponto, em conjunto com o blog Cinéfilo de Plantão e Seriados na TV (todos linkados na sessão “parceria”), inaugurou na noite de ontem uma nova rádio online: a rádio Griffe G, com enfoque ao público GLS, mas que pode ser ouvida por todos os públicos.

A nova rádio, que funcionará 24 horas por dia, tráz o melhor da música mundial, e com variação de gênero. Desde ao axé music ao trance, passando por MPB, funk, pop rock e dance.

Na área do jornalismo, a rádio Griffe G contará com o apoio da equipe do Direto ao Ponto, e terá boletins rápidos ao longo da programação com as principais notícias do dia.

Na linha de shows, a rádio Griffe G terá os programas “Cinéfilo de Plantão”, com Fabrício Haddad, com dicas de filmes e o “Falando Série”, com Paulo Victor.

A rádio Griffe G ainda tem o Twitter (http://twitter.com/GriffeG) e o Messenger (griffeg@hotmail.com).