República Federativa da Record

Como uma televisão pode sofrer do Transtorno de Múltiplas Personalidades

Por Luan Borges
Ponto Notícia // Direto ao Ponto

Em breve estreará na FOX a série “United States of Tara”, que conta a história de Tara, uma dona de casa que sofre do Transtorno de Múltiplas Personalidades, estrelada por Toni Collete. Na série, Tara tem quatro personalidades: Alice, uma devotada dona de casa; Buck, a única personalidade masculina; Gimme, uma personalidade animal; e Tee, uma adolescente selvagem.

Tara pode ser comparada a Rede Record: múltiplas personalidades numa só pessoa. A partir de 2004, a Record buscou sua identidade em outra identidade: a Globo. Excluiu programas históricos da emissora, como o “Note e Anote” e o “Cidade Alerta” para seguir uma linha menos popular, semelhante a da Globo. Reformulou o “Jornal da Record” para que ficasse parecido com o “Jornal Nacional”, chegando ao cúmulo de, um dia, Janine Borba usar o mesmo modelito de Fátima Bernardes, mudando só a cor.

A nova identidade usurpada da Record parecia dar resultado: tanto as novelas, quantos os jornais, passaram a incomodar a Rede Globo de Televisão. Mas a TV do Bispo não queria ser só a Globo, ela queria mais: ser o SBT. Para isso não mediu esforços: assinou com a Televisa, contratou o Gugu e até passou a cometer os mesmos erros antigos do SBT. Mais recentemente, a Record copiou a faixa de séries das 21h do SBT, que, após várias tentativas, deu certo na emssora de Silvio Santos.

Mais recentemente, a emissora da Igreja Universal contratou grande parte do elenco da MTV: Marcos Mion, João Gordo e a dupla de humoristas Hermes e Renato. Todos para o programa “Legendários”, que já mais de uma dezena de profissionais envolvidos, mas sem um formato certo.

A Record é um caso raro de Transtorno de Múltiplas Personalidades, pior do que de Tara. Enquanto a protagonista da série americana tem momentos de lucidez, onde ela é realmente ela, a Record não tem um só momento de Record. Até seus piores fracassos, como o programa “Geraldo Brasil”, parece ter saído da mais pobre televisão da Europa Oriental.

Se resolvessem fazer uma série de televisão sobre a Record, sem dúvida, o nome teria que ser “República Federativa da Record”, utilizando-se daquilo que ela faz de melhor, copiar.

Análise: Louca Família, o ‘Sai de Baixo’ da Record

Ontem na Rede Record, foi ao ar o especial “Louca Família”, estrelado por Karina Bacchi, Denise Del Vecchio, André Mattos, Tom Cavalcante, e outros artistas da Record. O formato, o mesmo das maiorias das sitcons nacionais: uma família bagunçada, uma empregada folgada, e um personagem trambiqueiro. Formato usado desde a série “Família Trapo”, da Rede Record, foi usada no “Bronco”, da Band e no “Sai de Baixo”, da Rede Globo, e foi usado como base na sitcom de sucesso da Globo, “Toma Lá Dá Cá”.

Porém, todo o contexto usado pelo “Sai de Baixo”, programa que marcou época nas noites de domingo da Rede Globo, foi copiado pelo “Louca Família”. Até o personagem Ribamar estava presente, só que com outra profissão e outro nome, porém com o mesmo estilo de roupa do Ribamar e apelidando suas partes íntimas. Na original era “Riba Júnior” e na nova versão, “Tola Júnior”.

A cópia é inegável. Tanto que o próprio Tom Cavalcante assumiu a ‘inspiração’ em entrevista ao jornal carioca “O Dia”. O texto, que foi reescrito por Tom Cavalcante, nem chega perto ao de Miguel Falabella no “Sai de Baixo”. O programa até tenta ser engraçado, com muita piada de duplo-sentido e comédia pastelão, mas o principal em uma sitcom, a piada textual, não comparece em “Louca Família”.

E se “A Usurpadora” fosse na Globo?

Na última semana estreou na Globo a novela “Desejo Proibido” que tem como tema a música “Sonho Lindo” na voz de Tânia Mara. Essa música foi tema da novela “A Usurpadora” na exibição de 1999, na voz de Paulo Ricardo.

Na internet, surgiu um vídeo que seria a abertura da novela “A Usurpadora” caso a mesma tivesse sido exibida pela Rede Globo. Vale a pena dar uma olhada.

“Desejo Proibido” tem logotipo ‘inspirado’ em “O Direito de Nascer”

Hans Donner está muito criativo nos últimos meses. Depois da abertura de “Sete Pecados” ser cópia do comercial da loja sueca “Ikea” e do logotipo de Malhação ser idêntico ao da novela “Alta Estação”, o logotipo de “Desejo Proibido” tem uma ‘semelhança’ com o logotipo de “O Direito de Nascer” exibida pelo SBT em 2001: a letra S “abriga” uma outra imagem. Em “Desejo Proibido”, o S abriga uma maça, símbolo da tentação e a fruta proibida. Em “O Direito de Nascer”, o S simboliza um útero com uma criança dentro.

Outra semelhança da novela será o tema de abertura. “Sonho Lindo”, que foi o primeiro tema da novela mexicana “A Usurpadora”. Dessa vez, ao invés de ser cantado por Paulo Ricardo, será cantada pela cantora Tânia Mara.

A falta de criatividade também está dando sinais do cansaço de Donner. Em “Paraíso Tropical”, não haviam efeitos especiais. Apenas o Globocop filmando ruas de Copacabana. Em “Duas Caras”, uma câmera “sobrevoa” uma maquete de uma favela. No último carnaval, não houve efeitos gráficos na Globeleza, apenas espelhos.

Valéria Valença, ex-Globeleza, como todos sabemos é esposa de Donner e agora passa quase todo o dia em casa. Será que Donner não tem mais tempo de criar aberturas e logotipos?