A cidade e o mosquito

(Por Luan Borges)

População, mídia, governantes, exército e polícia unidos contra um só inimigo. Atualmente o Rio se econtra em guerra, mas não é contra o tráfico, mas sim contra o mosquito, o Aedes Aegypti. O número de vítimas só aumenta. O número de vítimas ontem era de 31. Hoje são de 54. O número de casos só neste ano ultrapassa os 43 mil. Toda a mídia e o Governo Estadual já fala abertamente em epidemia, menos a Prefeitura. Segundo o prefeito César Maia, não existe epidemia, apesar dele afirmar que só usa roupas de mangas compridas.

Um acúmulo de absurdos pode ser visto nessa guerra contra a dengue. Soluções absurdas são sugeridas pelos governantes, como usar calças compridas e blusas de mangas em pleno calor carioca. Que viu o final do Balanço Geral Rio, da Record Rio, viu a matéria que o Balanço Geral de São Paulo, da Record São Paulo, fez nos hospitais cariocas. Filas intermináveis, população revoltada e demora no atendimento. Situação insustentável.

E a revolta da população tem sim embasamento. Em 1991, houve uma epidemia. Em 2002, outra epidemia, e parece que ninguém aprendeu. Hospitais municipais jogados ao relento, só com uma fachada bonita pra turista ver, porque por dentro estão um nojo.

O prefeito César Maia, nada vê. Aliás, no poder desde 1996, parece que cansou de ser prefeito. A única coisa que sabe fazer é falar mal do Governo do Estado em seu ex-blog. Afinal, ele não pode ser reeleito, então tá no “dane-se o povo”. Os carros-fumacê, de responsabilidade da Prefeitura, acumula água nos depósitos, servindo de criadouro para o mosquito.

A população se arma de todos os jeitos: repelentes, inceticidas e raquetes elétricas, vale tudo na guerra contra o mosquito. Se a Prefeitura não ajuda, o povo mesmo toma suas providências.

Rio: Secretário de Saúde diz que estado está em epidemia de dengue

O Secretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Sérgio Cortês, admitiu que o Estado do Rio está em epidemia de dengue e pediu desculpas à população pelas filas em hospitais públicos: “Sei que demora, peço desculpas pela demora. Mas é preciso aguardar para ser atendido, porque é preciso hidratar. Na semana que vem, vamos inaugurar centros de hidratação. Na fase inicial, o que se precisa é colocar soro na veia para que possamos diminuir a complicação”, disse o secretário.

O prefeito do Rio, César Maia, quis colocar mais lenha na fogueira, dizendo que a culpa das mortes são dos hospitais estaduais. O secretário disse que o importante é enfrentar o mosquito:

“Não estou preocupado em saber se é surto ou epidemia. Nem vou polemizar com ninguém. O que interessa é combater o mosquito. O importante são as ações para enfrentar essa epidemia de dengue. A recomendação para a população é a de que esperem para ser atendidos. Vamos atender todos os pacientes mesmo que demore. Isso está acontecendo na rede pública e na privada. Temos consciência de que as emergências estão superlotadas”, disse o secretário.

Côrtes avisou ainda que, nesta sexta-feira (21), terá uma reunião com o secretário de Vigilância em Saúde, Gerson Penna, no gabinete da crise criado no Rio pelo Ministério da Saúde, para tratar de ações mais efetivas de combate à doença.

O fato é que a demora dessa afirmação prejudicou toda a população. A mídia têm dito que a culpa é da população, mas é claro que as autoridades também tem culpa. A população tem sua parcela sim de culpa, pois uma parte não ajuda a combater o mosquito, mas a precariedade da saúde e a falta dos carros fumacê, de responsabilidade da Prefeitura, ajudam para que a doença se alastre e o número de vítimas aumente cada vez mais.

Como disse Marcelo Castilho, âncora do SBT Rio, só nos resta dizer uma coisa: “bom dia, secretário”.