Balanço sobre a vinda de Bento XVI: TV transforma pensamento de Papa em show

Bento XVI chega ao país condenando a prática do aborto; emissoras de TV aberta transformam o tema em espetáculo.

da Reportagem Local do Blog Internacional

Logo que chegou ao Brasil, o papa Bento XVI criticou a descriminalização do aborto em seu primeiro pronunciamento à nação, no dia 9 de maio. Segundo o sumo pontífice, sua vinda ao país serviu para “promover o respeito pela vida, desde sua concepção até seu declínio natural”. Conhecido por seu conservadorismo, o papa chegou ao maior país católico do mundo com a esperança de impedir uma possível legalização da prática. No entanto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se esquivou da polêmica e justificou que “o Brasil é um Estado laico e a religião serve para tratar do espírito”.

A cobertura do canal Bandeirantes sobre o tema consistiu nos comentários da mestre em Ciências da Religião, Silvia Bruno Securato, que acompanhou a chegada do Papa ao estádio do Pacaembu, às 18 hs, na quinta-feira, 10. No entanto, a especialista aproveitou a oportunidade para criticar a prática do aborto e para fazer pedidos ao pontífice. “Aborto é uma coisa terrível, é um trauma enorme! Espero que a visita do Papa dê rumo à vida dos jovens e os imponha limites”. Na visão da repórter Elizia Carneiro, da Rede Mulher, a abordagem do tema nos canais abertos foi superficial e nada esclarecedora. “Não houve todos os debates necessários com especialistas de saúde, direitos humanos e população. A questão do aborto é e sempre será muito polêmica, mas não podemos fechar os olhos”, explica. Já para o jornalista Eduardo Vasques, as emissoras de TV aberta trataram o tema como espetáculo. “Foi mais show do que conteúdo e análise da informação em si”, critica.

A revista eletrônica Fantástico, transmitida pela Rede Globo, abordou o tema baseando-se em afirmações como “a Igreja deve participar da política, mas com independência” e “a família é o patrimônio da humanidade e o aborto ameaça seu próprio futuro”. Já o telejornal RedeTV! News fez uma abordagem tendenciosa ao exibir somente declarações de pessoas anti-aborto. O escritor e jornalista Daniel Funes afirma que isso ocorre devido ao “rabo preso” de cada canal. “Eles precisam defender os interesses dos anunciantes e estar alinhados com alguma forma de poder, e então a imprensa brasileira se torna superficial. No caso do Papa, eles disseram tudo, menos a verdade”, observa.

O âncora do Telejornal do Brasil, Boris Casoy, fez comentários que outros profissionais não ousaram fazer: o apresentador chamou o “show” que a mídia fez em torno da visita do pontífice de “efeito televisivo”, que consiste em “injetar ânimo nos telespectadores para a Igreja ganhar novos fiéis”. Ele também afirmou que “é necessária uma ampla discussão com a população a respeito do tema aborto” e que “isso deveria ser iniciado nas escolas, com o ensino da religião e da política”. A Rede Record deixou seus telespectadores surpresos diante da cobertura da vinda do pontífice ao país, já que ela é mantida por bispos evangélicos da Igreja Universal do Reino de Deus. No entanto, segundo o jornal Folha de S.Paulo, a Record enviou e-mails aos jornalistas com orientações de como realizarem a cobertura do evento. A emissora proibiu seus profissionais de se referirem ao Papa como “Sua Santidade” e “líder religioso”, e de expressarem emoções.

PSOL protocola representação contra Calheiros

O PSOL protocolou às 13h50 desta terça-feira (29) uma representação no Conselho de Ética do Senado contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), para que ele seja investigado por suposta quebra de decoro.

O partido quer que o conselho investigue as ligações de Renan com a construtora Gautama, alvo da Operação Navalha, da Polícia Federal, e com a empreiteira Mendes Júnior, cujo lobista ajudaria financeiramente o senador.

“As acusações e denúncias trazem indícios fortes da possibilidade de prática de ilícitos pelo senador Renan Calheiros”, afirma o partido no documento. Na representação, o PSOL cita a reportagem na edição desta semana da revista “Veja”, que diz que o lobista Cláudio Gontijo, da Mendes Júnior, teria pago as pensões mensais e aluguéis da jornalista Mônica Veloso, com quem Renan teve uma filha fora do casamento.

O PSOL também põe no pedido de processo matérias que falam da ligação do senador com o empresário Zuleido Veras, dono da Gautama, que teria um esquema de fraudes em licitações públicas. “É possível, então, que os contatos do empreiteiro com o representado (Renan) neste episódio ter se estabelecido para finalidades não-lícitas”, afirma o texto.

“Ao Conselho de Ética e Decoro cabe, em virtude dos indícios fortes e provas em poder da Polícia Federal, preservar a dignidade do mandato parlamentar”, ressalta a representação.

A decisão do PSOL foi tomada em reunião dos deputados do partido e do senador José Nery (PSOL-PA) com a presidente da legenda, a ex-senadora Heloisa Helena (PSOL-AL). “É obrigação do PSOL, com base nos indícios, abrir um procedimento administrativo”, disse Heloisa.

A ex-senadora pediu ainda o afastamento de Renan do cargo durante as investigações. “É natural e salutar que saia da posição de comando da Casa”, afirmou.

Renan, porém, já avisou que não cogita se licenciar do cargo por conta das denúncias. “Não, não há nenhuma acusação contra mim”, disse ainda nesta terça (29) ao ser questionado pelos jornalistas se pensa em deixar a presidência.

A representação do PSOL no Conselho de Ética é suficiente para o órgão abrir um processo de perda de mandato. Segundo o regimento, somente a mesa diretora ou um partido político podem entregar representação contra um senador.

A primeira reunião do conselho já estava marcada para esta quarta (30), quando será escolhido o presidente do órgão. Por ser o senador mais velho, Romeu Tuma (DEM-SP) vai presidir a sessão. Nesta reunião, o conselho pode ou não analisar o início da tramitação do pedido contra Renan. Dependerá da vontade dos senadores.

Tuma é corregedor do Senado e já tinha dito que investigaria Renan. Entretanto, para ter efeito, sua investigação dependeria de alguma representação por algum partido ou pela mesa diretora no Conselho de Ética.

Agora, após o PSOL protocolar a representação, Tuma poderá entregar um relatório ao conselho para ser aproveitado na investigação.

(Do G1)

O tombo da Miss EUA

Ontem aconteceu o concurso de Miss Universo. Uma “hagada” foi cometida pela Miss EUA, Rachel Smith: um tombo enquanto desfilava. Apesar do tombo, a americana conseguiu chegar entre as 5 finalistas. A ganhadora do concurso foi a Miss Japão. A Miss Brasil ficou em 2º lugar.

Veja o tombo:

Depois de RCTV, Chávez ataca CNN e Globovisión

Um dia depois de fechar o maior canal oposicionista, o governo de Hugo Chávez já tem novos alvos: a segunda maior rede oposicionista, a Globovisión e a rede internacional CNN. A acusação dessa vez é de terem incitado a violência contra o presidente Hugo Chávez. O ministro das Comunicações, William Lara, encaminhou para o Ministério Público venezuelano um pedido de investigação.

O ministro disse que a Globovisión incitou a violência quando exibiu imagens do atentado contra o Papa João Paulo II com a música “Esto Tiene que Acabar”. “A conclusão dos especialistas que nos assessoraram é que ali se incita o assassinato do presidente Hugo Chávez”, disse Lara, em entrevista coletiva. Já a CNN incentivou a violência quando qualificou o presidente e seus companheiros de governo como terroristas.

A Globovisión tomou para si a responsabilidade de substituir a RCTV na difusão da oposição ao governo Chávista. “Agora o compromisso é maior”, anunciava a emissora, que não tem alcance nacional.

É, pelo visto em breve na Venezuela terá apenas dois canais: Telesul e o Teves, ambos de Chávez. Como disse o Ministro das Comunicações do Brasil, Hélio Costa, o único Chaves que é bom é do SBT, porque aquele é engraçado.

Polônia investiga sexualidade de Teletubbie

Um exemplo perfeito da falta do que fazer. O governo polonês, extremamente conservador, fez mais uma de suas medidas contra o que diz ser a propaganda da homossexualidade na TV, desta vez atacando Tinky Winky e outros Teletubbies. O personagem é conhecido por carregar uma bolsa feminina.

Ewa Sowinska, escolhida pelo governo para defender os direitos da criança, disse, nessa segunda, para uma revista polonesa que estava preocupada que o programa infantil da BBC pudesse influenciar na orientação sexual das crianças de seu país. Sowinska disse também que iria pedir auxílio a psicólogos para ver se isso acontece.

A tal da bolsa

Ainda nessa publicação, a defensora dos direitos da criança afirma que “Percebi que ele (Tinky Winky) tinha uma bolsa, mas não percebi que se tratava de um menino”. “Primeiro acreditei que a bolsa poderia ser um fardo para esse Teletubbie. Mais tarde, descobri que o personagem poderia ter alguma conotação sexual”, disse Ewa.

A perseguição aos gays

O governo polonês nos últimos meses tem sido alvo de constantes críticas na União Européia por ter adotado medidas discriminatórias aos homossexuais e em choque com grupos que defendem os direitos humanos.

O ministro da Educação da Polônia, Roman Giertych, propôs leis que demitissem professores que “levassem uma vida homossexual” e que proibiam a “agitação sexual” nas escolas.